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ONTOHERMENEUTOLOGIA SEMIOLÓGICA

Ou

A Nova Ontologia de Participação de Classes, de Conteúdo Existencial Contextualista, E Revisionista da Linguagem

Uma tese ontológica simples mas de implicações profundas, ancorada nas seguintes grandes áreas: Ontologia, Hermenêutica, Semiótica e Lógica


André Careganto



Quando digo por exemplo "Lula é um ex-presidente do Brasil" o que indica ele como um ente existente na frase não é o verbo, mas sim o predicado e o contexto maior do predicado (se ficcional, irônico, sarcástico ou realístico etc). A lógica auxiliada pela hermenêutica é quem indica a concordância tanto interna quanto externa do discurso e faz o contexto maior no qual se insere o predicado do sujeito na afirmação. E por outro lado ao dizer "a fada é loira" isso também não implicaria em dizer que a fada existe, mas sim apenas que ela é loira, embora isso nada tem a ver com dizer que ela existe realmente (ou que ela exista na vida real). O mesmo se daria com a frase "Deus é amor".


Ou seja, é perfeitamente possível ser (algo) sem existir (exemplo: sereias, gnomos SÃO entes de imaginação, personagens de histórias infantis, embora não existam), porém o contrário é impossível, existir sem ser (algo).


"Ser" não é "existir enquanto X", ser é simplesmente "ter a essência X", mesmo não existindo. O que diz se a coisa existe ou não, não é o "ser" ou o "é", e sim, o que se pode afimar, com razão, do que vem antes ou depois disso na frase (ou seja, o que se pode afirmar sobre).

O que propomos é o esviamento da existência do ser.


Quando digo "é necessário beber água" eu não estou com isso dizendo que água existe de modo direto, estou fazendo uma afirmativa dentro de uma perspectiva que já tem como garantido o fato de a água existir e o que afirma a existência da água nessa frase não é o "é", o "é" nesse caso só incluiu o "beber água" dentro da classe de "coisas necessárias para manter a saúde".


Tirem do "é" e do "ser" o peso de "existência", não é ele que dá isso, ele é apenas a ponte que liga o sujeito e o predicado, mas é o predicado, somado ao contexto e ao contexto maior que dão ou não peso da existência, e não a conjunção (verbal).

A conjunção não verbal é denotada explicitamente pelo termo "e", sem acento, (e de forma implícita pelos termos "com" - exemplo "tomei café e leite", "tomei café com leite"), já a conjunção verbal é denotada explicitamente pelo termo "é" (indicativo do tempo presente - bem como suas flexões temporais - obviamente) que tem a função de dizer ou pertencimento a classes (exemplo: "José é pescador") mas também o tempo de perspectiva da assunção em questão através das respectivas variações temporais e flexões verbais como "foi, fosse, será, seria". Isso muda tanto a metafísica, quando a gramática. Por exemplo: Minha amiga é dona de casa e professora. Poderia ser escrito assim também: Minha amiga é dona de casa e é professora. Ou minha amiga é dona de casa e também professora. Ou: Minha amiga é dona de casa, professora. Ou minha amiga e dona de casa e professora.


O uso do "é", nada mais faz que incluir entes em classes (ou atribuir predicados em sujeitos), que é também conhecido como "cópula" ou "juízo", adicionando a isto um tempo verbal (tem outros usos como mostraremos um pouco abaixo também), mas o uso do "é" ou do termo "ser" jamais implica automaticamente na afirmação da existência dos entes pelo simples fato de ter sido utilizado (exceto quando explicitamente usamos o "é" no seu sentido confirmativo [tipo quando te perguntam: é verdade que pessoas de duas cabeças existem? ai você responde "É."] ou no sentido afirmativo explícito "é verdade que pessoas com duas cabeças existem" para incluir algum ser na classe de seres existentes). Mas excetuando-se esses casos explícitos o termo "é" e o termo "ser" jamais implicam em afirmação automática de existência de qualquer coisa. Afirmar o contrário disso seria cair na falácia de ‘non sequitur’, exceto no caso de uma frase do tipo "flor é um ente existente" (pois ali obviamente se incluiu o ente 'flor' na classe dos entes 'existentes' explicitamente). Porém nos demais casos onde a inclusão dos entes na classe dos entes existentes acontecem de modo implícito - sua existência ou inexistência é compreendida, concomitantemente, com base em seu predicado, e com base ao contexto interno do texto, e em seu contexto externo ao texto (contextos estes que inclusive determinam o gênero do texto), além de, por sua essência e acidentes, visto que, ambos tornam os entes participadores de classes (que é o que eu uso como sinônimo de "ser", o ser de alguma coisa é a essência daquela coisa bem como seus acidentes que são uma expansão de seu ser, ou seja, o "ato de ser" para mim, ao contrário do que é para Tomás de Aquino, não é o ato de existir, mas sim, pura e simplesmente, o ato de ter uma determinada essência, ou de participar qualquer tipo de "classe de coisas", sejam elas existentes no mundo real, ou meros entes de razão. Ou seja, é um ato de participação categorial e não um ato de participação existencial - pois para mim, o ato de participação existencial seria o ato de existir, e não o ato de ser X coisa (pois 'ser' sem mais, não significa nada). Por exemplo: um cavalo alado é ¹ alguma coisa (pois se não fosse nada quando eu dissesse "cavalo alado" esse termo não evocaria nada em você e portanto você não faria a menor ideia do que se trataria tal coisa), coisa esta, porém, que não existe. Note então que o fato de um cavalo alado 'ser' alguma coisa não torna esse 'ser' em um algo 'existente'. Fica portanto mais do que evidente que ser e existir não são e nem poderiam ser a mesma coisa - como pretendem os tomistas.


Então, da próxima vez que um tomista vier lhe dizer que deus existe porque segundo o tomismo ele é o "ser" lembre-se...


"Ser" não é "existir". "Ser" é "participar de classes", seja por essência (exemplo: humano), ou pelos acidentes (exemplo: "homem", ao invés de mulher), por suas qualidades (exemplo: inteligente), ou pela circunstâncias (exemplo: faminto, fazendeiro etc).


Dizer que algo "é" não implica necessariamente em dizer que ele existe.


Portanto a afirmação como "O Ser é" se constitui em uma mera tautologia, assim como a assunção "o não-Ser não é". E em momento algum significa que esse Ser exista (independentemente do significado a ele atribuído). O 'ser' então, (note que isso é uma explicação funcional e não uma definição nominal) com apenas essas atribuições, a saber, a de fazer inclusão de classes na lógica, e dar predicados a sujeitos na linguagem - exemplo: "Pedrinho é um bom menino"), a de atribuir o verbo "estar sendo" em sua forma atemporal ("ser"), com indicação de tempo de ação do verbo (note o 'é' que indica que 'Pedrinho é um bom menino [e por isso está incluído na classe lógica dos bons meninos] no tempo presente') passa a ter o mesmo sentido de (ou ser sinônimo de) "estar" (estar estando).
Exemplo: Adriano é o melhor motorista da empresa--> Adriano está sendo o melhor motorista da empresa.


é = atribuição de ser (feita a algo)

onde "ser" tem todas as seguintes funções ou sentidos (embora não devesse, para evitar equívocos) -->
= inclusão de classes [no plano da lógica de classes]
= predicação de um (ou mais) sujeito(s) [no plano da linguagem]
= afirmação da ação de ser ( = afirmação do sujeito estar sendo predicado ou do objeto estar incluso em uma ou mais classes)
= atribuição de temporalidade ou atemporalidade (exemplo: "deixa de 'ser' trouxa" significa que a pessoa "está sendo" temporalmente trouxa no presente (e não que ela seja, de uma vez por todas e atemporalmente trouxa; assim como também quando se diz que alguém "é gordo" se está querendo dizer que ele na verdade 'está gordo', pois ser gordo é um acidente e não a essência daquele ser humano, cuja a essência é, obviamente, a humana; porém quando dizemos que os líquidos são molhados não pretendemos dizer que eles "estão" molhados, mas sim que sempre estarão [atemporalmente] molhados - talvez poderíamos dizer então que "os líquidos sempre 'estarão' molhados" e isso solucionaria o problema). Dessa forma vemos que "ser" pode, com um pouco de esforço mental, ser convertido com sucesso para "estar" e que "estar" pode, com um pouco de esforço mental, ser convertido com sucesso para "ser" - o que nos leva a crer que ambas as formulações são apenas duas formas de expressão da mesma entidade primordial avindas de origens diferentes.
= indicação de tempo de ação do verbo.
= indicação de correspondência entre o pensamento e a realidade (no plano epistêmico/epistemologia, mais especificamente no campo da Teoria da Verdade).

Desafio a algum tomista de plantão por aqui sobre o "Ato Puro": Prove que é possível existir atualização de algo sem potência e terá provado que possa existir ato puro... antes disso não.

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¹ Participação de classe + verbo 'ser' com temporalidade indicativa do presente.


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