Teísmo X Navalha de Occam


Em suma o Princípio da Navalha de Occam diz que:

"não se deve multiplicar o número de seres sem necessidade"


O princípio afirma que a explicação para qualquer fenômeno deve assumir apenas as premissas estritamente necessárias à explicação do mesmo, e eliminar todas as que não causariam qualquer aumento da capacidade explicativa sobre tal fenômeno dentro da teoria. O princípio é frequentemente designado pela expressão latina Lex Parsimoniae (Lei da Parcimónia) enunciada como: entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem (as entidades não devem ser multiplicadas além da necessidade).

O princípio recomenda, assim, que se escolha a teoria explicativa que implique o menor número de premissas assumidas e o menor número de entidades.

Também pode ser descrito como "considerando-se teorias diferentes sobre um mesmo fenômeno, a teoria ou explicação que necessita de menos alegações extraordinárias é a que deve ser aceita pois ela é a que está mais perto da realidade mais longe da fantasia".

Este princípio foi adotado pelo que viria a ser conhecido como método científico. É uma ferramenta lógica que permite escolher, entre várias hipóteses a serem verificadas, aquela que contém o menor número de afirmações não demonstradas, o que facilita a verificação da teoria, constituindo assim um dos pilares do conhecimento filosófico e científico. Elucidando este ponto, o cientista Carl Sagan formolou o seguinte princípio "alegações extraordinárias requerem provas igualmente extraordinárias".

Querem um exemplo? Um crente dizendo "Deus criou o mundo - e continua ele - vejam que pressuposição simples, é só essa a pressuposição que eu tenho, portanto a minha teoria é a mais verdadeira". Então vamos analizar um pouco isso ai:

Pressuposições embutidas nessa pressuposição composta enunciada:

Pra começo de conversa essa afirmação inclui de cara um ser a mais entre os existentes, Deus, e com ele vem,o céu, o inferno, etc etc etc, não bastanto isso, ainda se tem os atributos de Deus, cada qual gerando novas proposições aumentando assim o número de coisas a serem provadas para se poder justificar tal suposição para só então talvez no final conseguir fornecer uma explicação para um fenômeno:

01) Deus existe
02) Ele é bom
03) Ele é justo
04) Ele é misericordioso
05) Ele é perfeito
06) Ele é o criador de tudo - exceto dele mesmo (criou o mundo/universo)
07) Ele é onisciente
08) Ele é onipotente
09) Ele é onipresente
10) Ele é eterno
11) Ele é infinito
12) Ele é imutável

Só nisso ai já temos um bocado de entidades a mais que o normal, mais de uma dezena de pressuposições não provadas e que fazem parte da pressuposição "Deus fez alguma coisa" - levando aqui em conta, para este exemplo o dos monoteísmos, qualquer um deles - o que mostra que a afirmação do crente de que "Deus criou o mundo" esconde por trás de si uma série de outras pressuposições também não provadas. E, embora o crente não perceba, a cada nova tentativa do crente provar qualquer uma delas ele recorre a mais um monte de outras pressuposições também não provadas (em geral, todas de cunho religioso também) caracterizando a falácia de petição de princípio, de modo que a quantidade de afirmações não provadas (pressuposições) só aumenta e no final das contas nada se provou, apenas se aumentou a quantidade de pressuposições durante um percurso de um longo blá blá blá tornando a teoria cada mais distante do que racionalmente se pode considerar verdadeiro pelo princípio da Navalha de Occam.

Resumindo o Princípio da Navalha de Occam: Aquilo que tu está afirmando como verdadeiro depende de quantas afirmações pra se justificar racionalmente? E dessas afirmações quantas você não pode provar? Lembremo-nos também que não se pode usar uma afirmação não provada para justificar outra afirmação.



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