Meritocracia em Debate

Julian Guimarães e André Caregnato

PARTE 1

Julian Guimaraes: compartilhou a publicação de Fernanda Orsomarzo.
4 de setembro de 2016 · Fernanda Orsomarzo
30 de agosto de 2016:

"Ralei duro para ser Juíza de Direito. Cheguei a estudar 12 horas por dia em busca da concretização do tão almejado sonho. Abdiquei de festas, passei feriados em frente aos livros, perdi momentos únicos em família. Sim, o esforço pessoal contou. Mas dizer que isso é mérito meu soa, no mínimo, hipócrita. Em primeiro lugar, nasci branca. Faço parte de uma típica família de classe média. Estudei em escola particular, frequentei cursos de inglês e informática, tive acesso a filmes e livros. Contei com pais presentes e preocupados com a minha formação. Jamais me faltou café da manhã, almoço e jantar. Nunca me preocupei com merenda ou material escolar.

Todos têm suas lutas e histórias de vida. Todos enfrentam dificuldades e desafios. Porém, enquanto para alguns esses entraves não passam de meras pedras no caminho, para outros a vida em si é uma pedra no caminho. Meu esforço individual contou, mas eu nada seria sem as inúmeras oportunidades proporcionadas pelo fato de ter nascido – repito – branca e no seio de uma família de classe média minimamente estruturada. O mérito não é meu. Na linha da corrida em busca do sucesso e realização, eu saí na frente desde que nasci. Não é justo, não é honesto exigir que um garoto que sequer tem professores pagos pelo Estado entre nessa competição em iguais condições. Nunca, jamais estivemos em iguais condições. O discurso embasado na meritocracia desresponsabiliza o Estado e joga nos ombros do indivíduo todo o peso de sua omissão e da falta de políticas públicas. A meritocracia naturaliza a pobreza, encara com normalidade a desigualdade social e produz esquecimento – quem defende essa falácia não se recorda que contou com inúmeros auxílios para chegar onde chegou."

Julian Guimaraes: A falácia da meritocracia!

André Caregnato: Fala meu amigo Julian!

De uma olhada nisso. Um abraço. https://www.facebook.com/institutoliberaldesaopaulo/posts/2089683224590486

"ILISP - Instituto Liberal de São Paulo 6 de setembro de 2016 · Recentemente o post de uma juíza reacendeu a discussão sobre a "meritocracia". Só há um problema com esse termo: ele não existe na realidade.

A meritocracia não existe: o que existe é o mérito de atender melhor às outras pessoas By Augusto Gaidukas -15/03/2016

Todo mundo tem algum tio ou avô que já falou, pelo menos alguma vez, em meritocracia. Muitas vezes saudosistas e de idade já avançada incham o peito e dizem que “com trabalho duro, boas recompensas veem” e afirmam orgulhosamente sobre o quanto labutaram para chegar onde quer que estivessem.

Essa fala não é de todo mentirosa. Evidentemente, quem não possui valor nenhum – ou seja, não é capaz de ser útil de maneira alguma aos outros – o que se entende por ser um incompetente ou um vagabundo, dificilmente decolará na vida ou conseguirá qualquer ascensão. Bilionários são a classe social que mais trabalha no mundo (a maioria trabalha 60 horas por semana) e dificilmente conseguiriam chegar onde chegaram ou sequer manter suas atuais condições se fossem vagais.

Infelizmente – ou felizmente, seguindo as regras naturais do mercado – não é assim que a coisa funciona. Semelhantemente a todo tio meritocrático que temos, todos temos aquele primo que luta, luta e não sai do lugar. Chega a ser deprimente: a pessoa é cheia de entusiasmo, entra em todo tipo de empreitada promissora, e acaba fracassando retumbantemente, sempre.

Ao que parece, a meritocracia nem sempre funciona e nem sempre deixa de funcionar. Racionalmente, cria-se uma regra que envolve sorte, habilidade e uma rede de contatos apropriados para cada situação, o que explicaria o sucesso ou insucesso de cada um. Empiricamente, a resposta é bem mais simples: a meritocracia não existe.

A explicação para a ilusão meritocrática está na própria mecânica das atribuições de valor que cada sujeito e que a coletividade faz, mas resolvo aqui pegar o bom e velho exemplo de Megazord. O Megazord é um robô gigante de combate, imortalizado pelo seriado Power Rangers, que só é formado quando em situações de grande perigo. Paralelamente a isso, o Megazord no nosso mundo é inútil: ele é desengonçado, lento e fácil de se acertar.

“A RIQUEZA É A CAPACIDADE DO HOMEM DE PENSAR”(AYN RAND)

Agora, imaginemos que uma pessoa, sozinha, gaste cinquenta anos de sua vida construindo um gigantesco Megazord. De segunda a segunda, faça chuva, ou faça sol, lá está o cidadão, martelando e parafusando as pesadas peças de metal que compõem o ciborgue. Ao fim de sua vida, ele terá duas coisas: todo o esforço que realizou para construir a máquina, e a máquina em si, sem valor nenhum. Ou seja, o indivíduo, sobremaneira, esforçou-se; no entanto, uma vez que o produto de tal esforço não tenha valor objetivamente monetário, todo seu esforço foi em vão: seu esforço de nada valeu, e ele passará o resto de sua velhice às moscas.

Esse é um exemplo bobo, mas elucidativo, de como a teoria da subjetividade do valor também se aplica a nossa noção de esforço e mérito, bem como anula a mais-valia marxista: não importa quantas horas se trabalhe, quanto se sue, quanto sangue se derrame: um trabalho sem valor considerado resultará algo inútil e tão sem valor quanto; ao passo em que trabalhos que exigem menos horas, como minerar um diamante e vendê-lo, geram muito mais riqueza. É por isso que alguns profissionais ganham mais do que outros por hora trabalhada: seguindo as demandas de mercado, algumas funções são mais escassas; outras, menos. A hora do neurocirurgião é mais cara do que a hora do catador de lixo; mas se algum dia tivermos mais neurocirurgiões do que catadores de lixo, este ganhará mais do que aquele.

Voltando ao homem que construiu o Megazord, uma coisa é certa: embora todo seu esforço tenha logrado inútil, ele ainda pode fazer uma exibição da sua obra aos fãs de Power Rangers e ganhar dinheiro com isso. O único que não ganha dinheiro nenhum é aquele que fica de pernas para o ar sem fazer nada."

Julian Guimaraes: E aí, Caro André, como vai?
O texto de Gaidukas só consegue dizer que a meritocracia está relacionada não à quantidade de trabalho ou esforço empregado pelas pessoas durante sua vida, mas à atribuição arbitrária (e cega) de valor dada pelo mercado a esse trabalho. Isso não prova que a meritocracia não existe, apenas mostra que o “sucesso” do sujeito depende, além do seu trabalho, de que as demandas do mercado sejam satisfeitas pelo produto desse trabalho (o que, aliás, é uma defesa um pouco menos ingênua da meritocracia). Contudo, isso não resolve o problema, porque a sociedade (ou antes, o “mercado”) nem sempre valoriza o que é bom para o conjunto, mas quase sempre identifica valor com RIQUEZA. Veja o exemplo do próprio

Gaidukas: “um trabalho sem valor considerado resultará algo inútil e tão sem valor quanto; ao passo em que trabalhos que exigem menos horas, como minerar um diamante e vendê-lo, geram muito mais riqueza”. Ou seja, polir diamantes, fundar a Microsoft, ser dono de banco satisfaz as necessidades das pessoas gerando riqueza para os sujeitos inteligentes, trabalhadores e visionários. Mas ser inteligente e visionário no ramo bélico, no narcotráfico (veja Pablo Escobar) ou na política corrupta também gera riqueza aos “meritocratas”. Segundo esse critério, os milhares de trabalhadores rurais (pequenos proprietários) que produzem alimentos, os trabalhadores industriais, os professores, etc., são inúteis porque não geram “riqueza”, já que não produzem o que o mercado valoriza? O que falar então dos idosos, doentes, inválidos? Precisam morrer em prol da economia? É claro que creio que há muitas exceções de ambos os lados: é possível sim fazer valer o esforço e o trabalho pessoais, é justo que o mérito das pessoas seja compensado (não é por sorte que um torneiro mecânico chegue à presidência de um país, ou que um estudante pobre se torne um jurista renomado). Também é certo que outros se acomodem por receberem um bolsa família. Mas olhar só para as exceções não parece nem um pouco sensato (pra não dizer burrice).

A não ser que se assuma o discurso imbecil e míope de que pobre é pobre porque é vagabundo, ou é bandido porque é pobre...O discurso meritocrático serve para as exceções. Mas enquanto plano sistemático, para a sociedade como um todo, só seria justo se as pessoas fossem “naturalmente” iguais, se já nascessem em igualdade de condições. Como não é o caso, só se garante um mínimo de justiça tratando-se desigualmente os desiguais. O objetivo mais elevado da política é justamente fazer com que a vida dos cidadãos, sua capacidade de se desenvolver e prosperar, não dependa do destino ou da sorte de ser “bem nascido”, mas de sua capacidade de organizar racionalmente sua vida em comum. E você concorda que o exemplo do Megazord “anula a mais-valia marxista”? kkk...até o Olavo de Carvalho teria um piripaque se lesse esse texto do Gaidukas. No mínimo diria pra ele assistir menos Power Rangers e tentar ler “O Capital”!! Um abraço!

Fonte: https://www.facebook.com/julian.b.guimaraes/posts/10207292390855733

André Caregnato:

Por aqui tudo beleza Julian, e com você?

Uma observação preliminar: O meu debate aqui é do ponto de vista ético (universal) e não do ponto de vista legal das leis vigentes, ou seja, debato com base no que segundo a melhor ética a que já tive acesso “deve ser” e não sobre o que legalmente “é”, que aliás é contingente, regional, baseado em meras convenções ou conchavos tendo em vista o mero arbítrio daqueles que detém força e poder de ameça e ação sobre grupos de pessoas para impor seu poder, no caso, os do alto escalão do estado. Portanto minha fala é sempre tendo em vista não o que é “politicamente correto” segundo a lei, mas sim o que é eticamente aceitável (ou não) segundo a melhor ética que já encontrei que é a ética baseada nos direitos de propriedade que é explicada no decorrer do texto. Isso não implica em dizer que eu incentive a prática daquelas coisas coisas das quais eu não vejo problema ético que entretanto tenha impedimento legal segundo a legislação vigente, pois como disse o apóstolo Paulo em sua carta aos romanos se referindo a porque não desobedecer estado: “pois ele não traz de balde a espada”.

De fato o texto do Augusto Gaidukas não é contra a meritocracia em si, ele apenas está tentando desfazer um mal entendido a respeito da meritocracia, a saber, aquela noção de que o mérito adviria da quantidade de esforço empregado para fazer algo e não da coisa feita ser algo realmente importante e valioso para as pessoas segundo as próprias pessoas. Pois muitos socialistas dizem por ai: “vejam o servente de pedreiro, o cara toma sol no lombo, tem que fazer força desde cedo até o fim do dia e ganha muito menos que um colarinho branco, se meritocracia existisse ele tinha que ganhar mais pois se esforça muito mais”. E esse mal entendido (na verdade suspeito que seja uma interpretação forçada e mal intencionada [desonestidade intelectual] de tais pessoas para não reconhecer o óbvio) é o que está em ataque naquele artigo e não a meritocracia em si (desde que bem entendida).
Vou comentar trechos
da tua fala, pois é a forma com a qual lido melhor:


- “a sociedade (ou antes, o ‘mercado’)”.

- É importante notar que o mercado nada mais é que o conjunto de demandas e ofertas de bens e serviços feitas naturalmente pelas pessoas. Se tu come pãozinho todo dia, ajudas a criar essa demanda por pãozinho, se tu ofertas aulas, precisa daqueles que querem aprender. Assim nós somos o mercado. A não ser que vivêssemos num tipo de sociedade onde tu pode pegar o que quisesse/precisasse e não ter que ofertar nada em troca (sociedade que não existe nem poderia de existir pois os bens são escassos e tentar usar tudo que se quer sem nada fornecer em troca leva a conflitos, pois outros também iriam querer usar aqueles mesmos bens e se não há direito de propriedade e negociação [oferta de algo para poder desfrutar daquilo] o que resta então é apenas a violência de ambos competindo por algo que supostamente é de todos por não ser de ninguém).


polir diamantes, fundar a Microsoft, ser dono de banco satisfaz as necessidades das pessoas gerando riqueza para os sujeitos inteligentes, trabalhadores e visionários. Mas ser inteligente e visionário no ramo bélico, no narcotráfico (veja Pablo Escobar) ou na política corrupta também gera riqueza aos “meritocratas”. Segundo esse critério, os milhares de trabalhadores rurais (pequenos proprietários) que produzem alimentos (inclusive os orgânicos), os trabalhadores industriais, os professores, etc., são inúteis porque não produzem o que o mercado valoriza?”


- 1. Defender a meritocracia é antes de tudo defender o direito de propriedade, pois é devido ao direito de (primeiramente) auto-propriedade (propriedade sobre si mesmo) que tu tens o direito de vender aquilo que tu produz com teu corpo. Se por exemplo, tu não fosse dono de si mesmo, mas sim um escravo, então quem teria o direito de vender o que tu produz seria o teu dono, correto? Mas tu não é escravo e nem deve ser porque você é dono do teu corpo (que é você). E você é dono desse corpo pois foi a primeira mente a usá-lo/habitá-lo (embora nos fetos humanos essa mente não fosse desenvolvida, mas pela própria natureza do desenvolvimento humano e por ela ser fruto da natureza humana, ela pode ser considerada como presente “em potencia no curso de uma única vidano feto (pois em potencial até as moscas poderão evoluir daqui bilhões de anos e ter uma consciência semelhante ou até superior à humana, mas não no curso de uma única vida como é o caso da consciência de um feto que vira bebê, depois criança, adolescente adulto, etc). Isso se chama “apropriação original”, quando algo não tem dono, o primeiro a usar e misturar à tal coisa o seu trabalho ela então passa a ser propriedade daquele que a trabalhou e na medida do que foi trabalhado (e é fato que a mente do feto ainda que precária, já comanda/usa/trabalha seu corpo). Mas é claro, não adianta por exemplo eu chegar numa ilha de 5 km² inabitada e sem dono, trabalhar em apenas 800m² (arar e plantar milho, batatas e frutas etc) e querer reivindicar a ilha inteira como minha propriedade. Só será minha aquela parte da ilha que foi trabalhada por mim. Assim o direito à propriedade (sobre as coisas) é uma extensão direta do direito primário de auto-propriedade, que por sua vez deriva da apropriação original baseada no uso de algo sem dono (com a propriedade sendo restrita à quantidade daquilo que foi usado/trabalhado). E sendo assim, qualquer forma de roubo, trapaça, estelionato, é uma violação do direito de propriedade das pessoas e portanto uma conduta criminosa que, portanto, não é meritocrática. Em termos lógicos simples, toda ação meritocrática proporciona algum retorno para seu agente, mas nem todo retorno a uma ação de um agente é meritocrática. Por exemplo, um assaltante de rua lucra bastante (enquanto não for pego), mas não por mérito próprio, e sim por tomar das pessoas a força o fruto do trabalho delas (que aliás é o mesmo que o estado faz, só que em escala muito maior e de forma sistemática atuando por muito mais tempo e com um nível de sofisticação muito maior).


2. Nem a microsoft nem os bancos são exemplos perfeitos de meritocracia, os bancos graças ao corporativismo (ver: www.corporativismo.vai.la ) tem o estado ao seu lado para lhes garantir o direito de usar a fraude das reservas fracionárias contra os consumidores (ver: www.sistemamonetario.vai.la ). Já a microsoft se aproxima um pouco mais da meritocracia verdadeira, pois embora ela tenha usado o estado para impedir uma livre concorrência total, havia pelo menos uma concorrência entre os produtos dela e outros de outras empresas que também faziam uso de corporativismo estatal via direitos autorais como a netscape e a apple e também concorrências livres (que não faziam uso de corporativismo estatal de direitos autorais como o linux e o bsd etc). Um exemplo mais verdadeiro de meritocracia ao meu ver seria o facebook, que venceu com estilo as outras redes sociais da época, pela competência, fornecendo um serviço que os usuários preferiram usar em detrimento das outras redes sociais sem depender de privilégios comprados com estado para ganhar da concorrência por meio da força, mas sim ganhando por livre adesão das pessoas devido à qualidade superior (perante a percepção dos próprios usuários) do que ofereciam.


3. Mas a questão mesmo que eu queria comentar, e os dois pontos acima foram só premissas necessárias para que se pudesse chegar a este ponto, é o seguinte: Não dá pra comprar a quantidade de riqueza agregada pela microsoft ou o facebook na vida de um número imenso de pessoas versos o que um professor sozinho pode oferecer a um número reduzido de pessoas (ou se pode agora usar computador com um windows e usar o facebook e youtube para levar suas aulas mais longe, isso é antes, graças à própria existência desses produtos/serviços que tornaram possível tal feito). Ou seja, o potencial de criação de riqueza via trocas de informação que esses produtos e serviços nos trouxeram são incomparáveis aos melhores esforços de nossos professores. Não é que aquilo que o professor ofereça seja sem valor, mas sim, que um google, um windows, um facebook pelo simples fato de existir na forma que existe, ajudou muito mais pessoas (a se comunicarem e realizarem coisas que elas valorizam) do que um único professor é capaz de ajudar. O que importa na verdade não é o quanto a pessoa se esforçou, mas sim o quando de riqueza ela agregou na vida das pessoas e o quanto as pessoas reconhecem isso e estão dispostas a pagar por isso.


Poderíamos resumir isso numa imagem (com as devidas ressalvas sobre a microsoft: http://imgur.com/a/WREBs


Para um esclarecimento mais completo veja este vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=gCy3YgjRPz4


4. Os que são inteligentes e visionários no ramo bélico, no narcotráfico” não podem ser comparados com o político, seja ele corrupto ou não, pois o fabricante e vendedor de armas, assim como o narcotraficante (que são apenas meros comerciantes) não obrigam ninguém a lhes dar dinheiro adquirindo o que eles vendem, mas o político vive com um dinheiro tomado à força das pessoas (violação ao direito de propriedade). Além disso o político cria ou age com base em leis que retiram das pessoas seus direitos naturais (violando assim sua liberdade, ou seja, auto-propriedade, tornando as pessoas escravas do estado, ou seja, há um abismo entre oferecer um produto seja ele qual for que as pessoas podem não comprar e forçar os outros a te dar dinheiro porque você escreveu em conjunto com outros um papel que diz que tu tem o direito de fazer isso. Drogas fazem mal à saúde, mas compra quem quer, batata frita, refrigerante etc também fazem mal. Armas não matam pessoas, pessoas é que matam pessoas. Armas podem e devem ser usadas para impedir que agressores matem ou violem a propriedade de pessoas inocentes. Para um esclarecimento maior a esse respeito (sobre violação da auto-propriedade pelo estado, liberdade etc, veja este vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=3nSeB7iBa9c ). As leis de um país não valem como ética, de tal forma que uma coisa pode ser proibida sem violar a ética e outras serem legalmente permitidas pela lei estatal sendo uma violação clara da ética.


Segundo esse critério, os milhares de trabalhadores rurais (pequenos proprietários) que produzem alimentos (inclusive os orgânicos), os trabalhadores industriais, os professores, etc., são inúteis porque não produzem o que o mercado valoriza? O que falar então dos idosos, doentes, inválidos? Precisam morrer em prol da economia?”

- Não há nenhum problema em não produzir o que o mercado valoriza, porém fazer isso seria uma forma de possuir moeda de troca. Uma pessoa pode ser absolutamente inútil aos outros, isso não tira o valor dela enquanto pessoa
nem seus direitos negativos (que são os únicos direitos reais que todos, independentemente de sua condição física, tem – confere: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1902 ). Mas por outro lado ninguém tem o dever de viver para servi-los embora quem se apiedar deles pode fazer isso sem problemas.


é justo que o mérito das pessoas seja compensado (não é por sorte que um torneiro mecânico chegue à presidência de um país, ou que um estudante pobre se torne um jurista renomado”

- Correto, mas, se te referiu ao Lula e ao Joaquim Barbosa nenhum dos teus exemplos foi meritocrático… o Lula só chegou lá graça à ignorância das massas e não por competência, mas sim pela degenerescência da democracia ( ver: www.teoriadaescolhapublica.vai.la e também www.democracia.vai.la ). O Joaquim Barbosa só se tornou um jurista de nome conhecido nacionalmente graças a ter sido nomeado pelo próprio Lula para ser ministro do STF, pois Lula tinha que ser minimamente coerente com sua defesa de cotas (colocar um ministro negro no STF). Ser eleito por uma massa de ignorantes, ou ser nomeado por um outro ignorante (que foi eleito pela massa de ignorantes) não são coisas das quais se possa atribuir algum mérito – por isso não são meritocráticas.



Também é certo que outros se acomodem por receberem um bolsa família. Mas olhar só para as exceções não parece nem um pouco sensato (pra não dizer burrice).”

-
Sobre esse ponto – só me interessa saber não se o estado dar esse dinheiro para os outros é certo ou errado, mas sim se o roubo que ele pratica para obter esse dinheiro que distribui (juntamente com a parte que não distribui) dos seus donos verdadeiros passa a ser justo porque ele dá um pouco dele para os pobres. A minha resposta para isso é um grande NÃO, não se justifica, pois ou o direito à propriedade é um direito absoluto ou ele não existe de fato. E consequentemente gastar sua vida lutando para conquistar algo é inútil uma vez que a qualquer momento o estado poderia lhe tomar aquilo sob alguma desculpa – o que desincentiva a gana das pessoas em lutar para conquistar as coisas… diminuindo assim a produção de bens e serviços e gerando menos empregos, e portanto causando logicamente o empobrecimento das pessoas devido a menos geração de riqueza).



A não ser que se assuma o discurso imbecil e míope de que pobre é pobre porque é vagabundo”


- Vejamos o que você mesmo disse: “Também é certo que outros se acomodem por receberem um bolsa família.” Então tu mesmo já dissestes que isso é verdade em uma parte dos casos. Porém complemento o seguinte, não é só pelo bolsa família que eles ficam nessa situação, mas sim por causa dos direitos trabalhistas...

1) Que acabam por cobrar do patrão praticamente dois salários, um para o funcionário e outro para o estado – o que inviabiliza ter funcionários e gera desemprego.


2) Além disso o do salário mínimo - que na realidade determina que quem não é capaz de produzir mais que o valor do salário mínimo não pode trabalhar (como empregado).


3) E também o fato do estado punir o empreendedorismo autônomo, o comércio de rua que é a forma mais espontânea e original das pessoas começarem um negócio próprio… roubando a propriedade privada desses trabalhadores e ainda agredindo-os se tentam proteger sua propriedade. Há exemplos abundantes disso nessa página a seguir, confira: É Proibido Trabalhar.


Então, se eles não podem trabalhar como empregados (graças ao estado fazer o patrão pagar 2 salários e o funcionário receber apenas 1; E também por causa do salário mínimo que gera naturalmente desemprego como é mostrado aqui) e se eles não podem trabalhar como empreendedores autônomos vendendo o que conseguem vender ou fazendo o que sabem fazer… é claro, eles estão sendo impedidos pelo estado de trabalhar… ai vem o estado e joga a esmola… os caras vão se agarrar àquilo como sua única salvação. Mas tudo isso não passa de estratégias do estado ao mesmo criar uma reserva de mercado para as lojas com CNPJ (que lhe dão imposto – criando um oligopólio por suborno) e o fato de gerar pobreza também o faz lucrar pois assim haverão problemas sociais sendo criados aos quais os políticos poderão se arvorar como resolvedores e assim conseguirão os votos para que o ciclo de poder se mantenha. Se os problemas urgentes acabarem, ninguém vai querer saber de políticos. Por isso é fundamental para o estado fazer sempre pouco, para que sempre se tenha ainda muito por fazer. Pois só assim a massa vota e tolera os impostos (e essas duas coisas são tudo que os políticos precisam). Claro que nenhum desses fatores são absolutos – ou seja, isso não impede totalmente a pessoa de conseguir um trabalho, mas cria várias dificuldades totalmente desnecessárias na vida do pobre, atrasando a vida dele. Além do mais, não bastasse o estado dificultar das duas formas já mostradas o trabalho formal, e dificultando também o trabalho informal – além de roubar dele seu pequeno capital de giro (sua barraquinha com mercadorias) – ele ainda rouba o cidadão com inumeráveis impostos diretos e indiretos em todo produto ou serviço que ele precisa utilizar.



ou é bandido porque é pobre”


- Esse é o discurso da esquerda... os bandidos são “vítimas da sociedade” (ou seja, de que são bandidos porque são pobres), invertendo totalmente a realidade e as verdadeiras vítimas é que são criminalizadas e os verdadeiros bandidos são quase beatificados pela esquerda – como se pode ver nesse vídeo que exemplifica bem essa posição da esquerda.



O discurso meritocrático serve para as exceções.”

- Achas mesmo que é a exceção um trabalhador adquirir recursos por meio de trocas voluntárias? Todo dinheiro adquirido exclusivamente por meio de trocas voluntárias (isto é, não coercitivas) é recurso adquirido de forma meritocrática. E esta é a forma que a grande maioria das pessoas usa para adquirir recursos – trocando seu tempo e energias por um salário previamente acordado entre eles e quem lhes paga e outros tanto vendendo produtos ou serviços (voluntários –- que significa que as pessoas não são obrigadas a usar tal serviço ou a comprar tal produto, embora sejam livres para fazê-lo caso cumpram com a condição de pagar o preço pelo qual tal produto ou serviço é fornecido).



Mas enquanto plano sistemático, para a sociedade como um todo, só seria justo se as pessoas fossem “naturalmente” iguais, se já nascessem em igualdade de condições. Como não é o caso, só se garante um mínimo de justiça tratando-se desigualmente os desiguais. O objetivo mais elevado da política é justamente fazer com que a vida dos cidadãos, sua capacidade de se desenvolver e prosperar, não dependa do destino ou da sorte de ser “bem nascido”, mas de sua capacidade de organizar racionalmente sua vida em comum.”


















E você concorda que o exemplo do Megazord “anula a mais-valia marxista”?  kkk...até o Olavo de Carvalho teria um piripaque se lesse esse texto do Gaidukas. No mínimo diria pra ele assistir menos Power Rangers e tentar ler “O Capital”!!“


- Concordo sim, é justamente a teoria da mais valia que Mises refutou com sua praxeologia detonando completamente a ideia de Marx de um valor absoluto, confere: https://www.youtube.com/watch_videos?video_ids=T0DtbxxsV8s,aT52C9nsio4,7UvA0vMTGiQ,vdAaN1QBSi0,h0qJ26Wn9z4,QGszeSSr66U,XqcqF3GnzMk,D7njVVynHWM


Complemento:

Obs.: o conteúdo do link acima é essencial e
não é substituível pelo texto abaixo):



No volume 1 de O Capital encontramos:


"Sabemos que o valor de qualquer mercadoria é determinado pela quantidade de trabalho materializado em seu valor-de-uso, pelo tempo de trabalho socialmente necessário a sua produção."


Em Salário, Preço e Lucro encontramos:


"Poderia parecer que, se o valor de uma mercadoria se determina pela quantidade de trabalho que se inverte na sua produção, quanto mais preguiçoso ou inábil seja um operário, mais valiosa será a mercadoria por ele produzida, pois que o tempo de trabalho necessário para produzi-Ia será proporcionalmente maior. Mas aquele que assim pensa incorre num lamentável erro. Lembrai-vos que eu empregava a expressão 'trabalho social" e nesta denominação de"social" cabem muitas coisas. Ao dizer que o valor de uma mercadoria é determinado pela quantidade de trabalho incorporado ou cristalizado nela, queremos referir-nos à quantidade de trabalho necessário para produzir essa mercadoria num dado estado social e sob determinadas condições sociais médias de produção, com urna dada intensidade social média e com uma destreza média no trabalho que se emprega."

e...

"se a oferta e a procura se equilibram, os preços das mercadorias no mercado corresponderão a seus PREÇOS NATURAIS, isto é, a seus VALORES, os quais se determinam pelas respectivas quantidades de trabalho necessárias à sua produção."


Note que ele disse "valor" e não "valor de uso", e ele sempre faz essa diferenciação.


Num trecho do Capital ele diz:


" Em direta oposição à palpável e rude objetividade dos corpos das mercadorias, não se encerra nenhum átomo natural na objetividade de seu valor. Podemos virar e revirar uma mercadoria, como queiramos, como coisa de valor ela permanece imperceptível. Recordemo-nos, entretanto, que as mercadorias apenas possuem objetividade de valor na medida em que elas sejam expressões da mesma unidade social de trabalho humano, pois sua objetividade de valor é PURAMENTE SOCIAL e, então, é evidente que ela pode aparecer apenas numa relação social."


Ou seja, para ele o valor não está na matéria em si, mas sim no tempo de trabalho humano sobre ela gasto, considerando para isso o tempo médio numa dada sociedade num determinado tempo.


Pressuposto está que existe um valor real ou objetivo, um valor intrínseco à coisa enquanto coisa forjada/produzida pelo trabalho humano, teria então estes produtos feitos pelo homem um valor objetivo não natural, mas causado e mensurável pelo gasto de força de trabalho empregada para produzi-la num dado momento numa dada sociedade, o qual se oporia ao valor fetichista do mercado.


Isso sem falar ainda no absurdo dele dizer que todo o valor da mercadoria provém do trabalho humano sobre ela exercida, como se, por exemplo, uma floresta na qual não houve trabalho humano não tivesse nenhum valor ou uma pepita de ouro achada no rio por acaso sem esforço/trabalho algum não tivesse valor!


Adendo 1: http://teoriadovalormarxista.blogspot.com.br/

Adendo 2: http://rodrigoconstantino.blogspot.com.br/2007/08/o-valor-de-menger.html


o quantum de trabalho socialmente necessário ou o tempo de trabalho socialmente necessário para a produção de um valor de uso é o que determina a grandeza de seu valor”, ademais, “enquanto valores todas as mercadorias são apenas medidas determinadas de tempo de trabalho cristalizado” 
(Nova Cultural, Coleção Os Economistas, 1988. Karl Marx, p. 48)


S
e tiramos a perspectiva do indivíduo e colocarmos no que Marx chama de "a produção de uma sociedade num determinado tempo" então sim, se o tempo médio de produção de um dado produto numa cidade onde boa parte forem preguiçosos ou inábeis acaba por tornar o produto mais caro e então o que parece uma piada acaba sendo fiel à realidade segundo Marx... quanto mais preguiçosos e inábeis houverem na produção daquela mercadoria mais cara ela seria segundo Marx. Parece que não ocorre a ele que se alguém vende um produto igual por um preço maior o concorrente dele o deixará com poucas vendas ou no mínimo forçará ele a baixar o seu preço, pois não se pode cobrar mais caro por ter produzido algo com incompetência (a regra, na verdade, é o oposto disso). Ou então ele está confundindo preço de custo com preço da mercadoria.

Tudo que ele quer é desqualificar o preço de mercado em função de um suposto valor/preço de utilidade que ele como iluminado que era saberia mensurar melhor que o mercado. Ai sabendo ele o preço justo de cada coisa (melhor que o mercado) podeira precificar cada coisa para que elas pudessem serem vendidas sem "serem afetadas pelo fetichismo do mercado". E ai ele entra no problema do cálculo econômico.

https://www.youtube.com/watch?v=JTELBOEjOdw

https://pt.wikipedia.org/wiki/Problema_do_c%C3%A1lculo_econ%C3%B4mico

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1141

http://www.corecon-go.org.br/artigos-leitura.php?id=721&chave=calculo-economico-e-socialismo


PARTE 2

Julian Guimaraes: Comigo tudo bem também...agora que concluí o mestrado terei mais tempo pra outras leituras também, rs. Então, sobre nossa conversa...Ao comentar o texto do Augusto minha preocupação também estava centrada apenas na questão ética que vejo implicada no tema da meritocracia. Preocupação, diria, estritamente voltada para a situação imediata daqueles que são excluídos da lógica meritocrática simplesmente porque na realidade (não idealmente) ela não pode ser desfrutada por todos. Não estava discutindo, portanto, qual seria o tipo de economia política mais capaz de remediar ou solucionar o problema dos pobres (e da sociedade como um todo) a longo prazo, pois esta é uma questão bem mais abrangente e mais complexa (e inclusive mais importante do que a questão pontual da meritocracia). Não sou contra a ideia de meritocracia! Ao contrário, penso que ela, enquanto ideal, é o dispositivo mais justo de que dispomos atualmente em termos de proporcionar a igualdade de direitos entre as pessoas. Defendo-a nesse sentido, porque por ela a capacidade de desenvolvimento e de ascensão social (o status social) se funda na liberdade da pessoa, ou no uso que cada um faz de si e de suas qualidades e não meramente nos seus dotes físicos nem em sua linhagem, como antigamente. Essa ideia de valorizar a pessoa pelo uso que a pessoa faz de sua liberdade e não pelo seu nascimento foi de fato revolucionária. Portanto, não me referia à meritocracia em si, mas à questão de como lidar com o problema que surge da impossibilidade prática de realizá-la justamente.

Explico. O problema, a meu ver, encontra-se no fato de não se levar em conta que as condições prévias das pessoas são historicamente muito diferentes e que isso não é culpa ou mérito dos sujeitos em questão. Por exemplo, dois estudantes que concorrem a uma vaga em medicina através do vestibular; um deles sempre teve as melhores condições (pais médicos, colégio particular, estabilidade, dinheiro, possibilidade de dedicação exclusiva aos estudos, etc...); o outro viveu nas piores condições (pais analfabetos, escola pública, sempre precisou trabalhar pra completar a renda, etc...). Nesse caso, como falar em meritocracia real se o sucesso ou o fracasso de cada um não depende exclusivamente da dedicação pessoal? Não se trata de julgar aquele que tem melhores condições, mas simplesmente de reconhecer que a concorrência não é justa porque o mérito do primeiro e a condição precária do segundo não são atribuíveis à liberdade pessoal deles (no máximo aos pais). Imagino que é por esse mesmo motivo que, por exemplo, nas competições esportivas existem diferentes categorias. Parece que aí se reconhece que não seria justo que jovens adultos saudáveis competissem ao lado de crianças, de idosos ou de deficientes. Pois aí se reconhece a diferença que há no ponto de partida. E, no entanto, em cada modalidade, o vencedor ganha medalha de ouro. Apenas esse era meu ponto. Me parece que falar em meritocracia sem levar em conta essas nuances sociais seria como aceitar como justa uma corrida de 100 metros entre um adulto saudável, crianças, idosos e deficientes. Mas com esse argumento não se quer descartar a meritocracia! Apenas chamar a atenção para o fato de que as condições reais das pessoas não permitem que ela seja o único critério de juízo da ascensão social. Abraço!

Ao comentar o texto do Augusto minha preocupação também estava centrada apenas na questão ética que vejo implicada no tema da meritocracia. Preocupação, diria, estritamente voltada para a situação imediata daqueles que são excluídos da lógica meritocrática simplesmente porque na realidade (não idealmente) ela não pode ser desfrutada por todos.”


- Ao meu ver estas pessoas precisam de ajuda e embora fazer caridade não seja um dever é uma coisa bela e moral que pode ser feita por todos aqueles que puderem e quiserem ajudar. O único agente que realmente exclui pessoas da meritocracia é o estado. É somente por meio dele que pessoas que fazem por merecer não recebem o que merecem e pessoas que não merecem recebem o que seria de direito de quem merece. Tirando essa exceção, nenhuma outra entidade impede as pessoa, são as condições (ou se preferir as contingências situacionais de cada um) que podem favorecer ou desfavorecer uns ou outros no intercurso da existência… mas isso é algo pelo qual não se pode penalizar alguém que foi beneficiado tirando dele para dar para o outro à força pois isso seria roubar de um para dar ao outro. O rico não tem culpa de ter nascido rico, tal como o pobre não tem culpa de ter nascido pobre. Mas a pobreza é a condição normal com a qual só se sai, via de regra, fazendo algo que os outros requisitem e valorizam bastante. Mas é sempre importante lembrar que o simples fato de alguém ter necessidades não dá a ele o direito de ter essas necessidades atendidas com o que é dos outros.



Não estava discutindo, portanto, qual seria o tipo de economia política mais capaz de remediar ou solucionar o problema dos pobres “

- Vejamos uma citação literal do que dissestes: “E você concorda que o exemplo do Megazord ‘anula a mais-valia marxista’? kkk...até o Olavo de Carvalho teria um piripaque se lesse esse texto do Gaidukas. No mínimo diria pra ele assistir menos Power Rangers e tentar ler ‘O Capital’!!”

Como se pode notar, a pergunta que me fizestes (citada acima) foi sobre um assunto de cunho estritamente econômico (a “teoria do valor subjetivo” ou, como também é chamada, a “teoria do valor marginal” ou ainda, “teoria da utilidade marginal” (mas que no fundo são todas uma e a mesmíssima coisa), mas, mais do que isso, essa teoria é um dos pilares da economia austríaca, justamente em uma das partes que refuta a economia do liberalismo clássico e do marxismo (que nesse quesito segue o liberalismo clássico) –
confira aqui.



não me referia à meritocracia em si, mas à questão de como lidar com o problema que surge da impossibilidade prática de realizá-la justamente”


- Mas Julian, a tua fala acabou de colocar a meritocracia como injusta. Logo, sim, estás a criticar a meritocracia, pois na tua concepção, todos deveriam partir do mesmo ponto… o que nulificaria as conquistas de muitos que lutaram para dar a seus filhos uma condição melhor que a que tiveram. Quer dizer que então, foda-se o mérito daqueles que lutaram para dar uma boa condição a seus filhos, eles terão que ter uma condição igualmente ruim porque tem outros que não tem uma condição boa. O que é absurdo. Ou ainda, então o certo será dar uma condição igualmente boa a todos - o que também é absurdo, pois, de onde viriam os recursos? De impostos? Mas o que são impostos? A própria palavra é auto-explicativa, imposto é algo que é tomado das pessoas de forma imposta, ou seja, à força, contra a vontade ou o consentimento delas (é um estupro, só que da propriedade ao invés do corpo). Lembrando aqui que falo numa perspectiva ética – que portanto não tolera o roubo e a extorsão que são expropriações baseadas unicamente na força/violência ou na ameaça das mesmas como algo válido ou eticamente legítimo.


Veja novamente esta imagem e refute se o argumento contido nela se puder amigo: