Inteligência X Inteligência Artificial

Outro aspecto importante a ser ressaltado é no que diz respeito à "inteligência artificial" e a "inteligência", não que haja diferenças entre elas, mas alguns pensam que há. Por inteligência artificial o que se está indicando é apenas a origem da mesma, e não dizendo que a inteligência computacional etc seja artificial, pois não faz sentido esse tipo de categorização de inteligências, uma vez que inteligência (perdoem-me a tautologia) é inteligência e ponto (mesmo nos humanos, já foi constatado a multiplicidade de mecanismos para aprender algo, também de métodos mnemônicos etc e nem por isso se diz que são inteligências diferentes. Em suma, o conceito "inteligência artificial" dando ênfase ao artificial deveria servir unicamente para denotar uma questão de "gênese" e jamais uma questão de "natureza" da inteligência em questão, como muitos equivocadamente acabam fazendo (provavelmente influenciados por preconceitos religiosos sobre o tema).



O teste para descobrir se uma inteligência artificial é de fato inteligência artificial stricto sensu ou apenas uma inteligência artificial latu sensu

Seria fácil elaborar um teste para um autômato mentalmente adulto, por exemplo, se poderia dar a ele uma lista de fenômenos e pedir a ele que ele nos dissesse quais são as condições de possibilidade de cada fenômeno da lista, se ele responder corretamente é porque tem inteligência artificial stricto sensu, caso contrário é porque não tem inteligência strictu sensu mas apenas inteligência artificial latu sensu.

O problema é que fica muito mais difícil criar um teste para a mente de um autômato ainda infantil (ou seja, ainda não muito desenvolvida, que tem pouco conhecimento, ou que tem uma consciência ainda não expandida ou ampla). Já se comprovou que muitos testes de QI falham exatamente por avaliarem a quantidade de conhecimento de um determinado indivíduo ao invés de propriamente sua inteligência.

Por exemplo, há muitos inteligentes analfabetos e muitos doutores burros. Mas num teste de inteligência no qual, por exemplo, na maioria das questões haja cálculos matemáticos, um gênio em relações humanas pode falhar completamente enquanto um medíocre em tudo pode ter então mais sucesso que ele no teste. Nesse caso, se o indivíduo não havia aprendido a calcular ainda, então o que lhe faltava não era inteligência, mas sim conhecimento. E por causa disso outros de menos inteligência puderam ser avaliados como se tivessem mais inteligência que ele, quando, de fato, não o tem.

O fato é que é difícil fazer um teste que meça unicamente a inteligência sem que se meça junto o grau de conhecimento ou habilidade da pessoa sobre (ou para) certas coisas - lembrando que habilidades vem com o hábito de praticar uma certa coisa, sendo então em parte conhecimento e em parte exercício prático de uma determinada atividade que exige certos conhecimentos.

Exemplo, se um dos critérios da avaliação é se a pessoa sabe dançar... o que se estará avaliando ali é uma habilidade construída (pelo exercício de uma técnica já conhecida) e não propriamente a inteligência. Por isso é bem mais complexo do que parece a princípio e é preciso muito cuidado ao se fazer se elencar critérios para uma avaliação de inteligência.

Nesse ponto poderíamos nos perguntar, se avaliações de âmbito puramente formal como os de lógica e matemática não seriam então os ideias para o teste de inteligência, visto que eles não necessitam da necessidade de conhecimento de quaisquer outros objetos que não sejam eles mesmos. Porém o fato é que esta se trata de uma área da inteligência racional e nem todos tem nesta a sua maior concentração de potencial intelectivo. E outro fato já mencionado mas que vale a pena ser lembrado é que muitas vezes se corre novamente o perigo de estar-se avaliando uma habilidade construída com muito treino e não a inteligência propriamente.

Os Vários Tipos de Ingeligência nos Seres Vivos

Existem vários tipos diferentes de inteligência em seres vivos biológicos:

1) O nível mais elementar e básico está relacionado à homeostase (capacidade de perceber mudanças ao redor de si e então: Ou se adaptar a elas ou escapar para longe delas). Aqui se aplica uma estrutura de decisão entre o "fugir" ou o "se adaptar". Parece simples mas exige ou extensa base de dados prévios ou então um sistema de decisão baseados em princípios muito rígidos e bem escolhidos.

2) Quando o "se adaptar" é a opção, isso leva a uma engenharia genética de adaptação

(
que seria uma engenharia reversa feita com base nos objetivos funcionais que se tem por meta alcançar para tal adaptação - simula-se que ela já existisse e com base nessa função que imaginariamente já existe, analisamos ela [mentalmente, claro, via reflexão transcendental ou "condições de possibilidade"] para ver os recursos ou ferramentas [ou como queira chamar] que ela tem que torna possível que ela exerça a função que exerce, e então, se anota tudo de uma tal forma que não se perda nenhum tipo de estrutura de seu funcionamento
[
que por sua vez requer ainda antes dela uma engenharia hipotética de condições de possibilidade via reflexão transcendental para verificar quais funções ou características seriam as melhores para se adaptar a uma dada situação concreta que acaba de acontecer - para isso seria necessário um banco de dados muito grande contendo inúmeras situações previamente ou então um rigoroso sistema de princípios que permitisse, com base num conjunto restrito de poucas evidências determinar qual seria a melhor solução
]
),

que faz uma análise de requisitos, fazendo assim o esquema analítico formal, com uma linguagem de três dimensões, com sintática, semântica e pragmática. Agora como se forma essa estrutura de inteligibilidade fundamental que permite toda e qualquer ação inteligente com base nessa linguagem que transmite dados para dentro do organismo, permite que ele processe esses dados transformando-os em informações úteis para si e aja de acordo com o conhecimento gerado... isso é um grande (detesto esse termo) mistério. (Se o organismo opta por fugir terá então que [caso ainda não tenha] desenvolver meios para operar essa fuga).

3) Existe a inteligência de cada órgão (paradigma organicista);

4) E de cada função orgânica - seja de departamentos do cérebro ou qualquer outra função do corpo (paradigma funcionalista). Acredito que ambos os paradigmas são válidos enquanto formas de aquisição de conhecimento sobre o funcionamento do cérebro e seus derivados - embora eu prefira um pouco mais o paradigma funcionalista pois amplia as possibilidades para o surgimento de órgãos que ainda se quer existem que visem suprir limitações ainda existentes.

5) Inteligência consciente (ou a inteligência que é aquela que é de linguagem de alto nível, que é baseada em plataformas de linguagens de níveis mais baixos que são condição de possibilidade de sua realização, mas das quais ela prescinde enquanto linguagem pura e simplesmente considerada (ou seja, essa inteligência que usa uma parcela de inteligência disponível e que não está ocupada com nenhuma área fundamental como o orgânico, instintivo, de fuga ou adaptação/defesa... essa é a inteligência que se vale dos sentidos para ir armazenando dados, combinando dados, comparando, julgando, selecionando, colecionando mas muitas vezes por falta de método se esquecendo e embora possa descobrir coisas muito boas pode não conseguir transmitir fazendo com que sua descoberta morra consigo. Nesse nível o ser ainda permanece perante sua consciência como estando "colado à realidade"... para ele as coisas são como são... ele não consegue perceber muito o alcance das consequências de suas ações, para ele tudo é como é e ele tem apenas que tentar tirar proveito das coisas como puder e viver conforme as circunstâncias sem nenhum projeto ou propósito que não seja o do mero imediatismo... para eles não há o depois, só o agora, um constante agora e isso é o que os faz estar "colados" na realidade (inteligênica esta encontrada na maioria dos animais).

6) A inteligênica que se vale da consciência da própria consciência ou da consciência que se dobra sobre si mesma e é capaz de contemplar e refletir (inclusive) sobre si mesma, é capaz de questionamentos mais profundos e de uma busca quase que interminável pela descoberta da verdade. É mais radical e exigente o que a leva a ser também mais regrada (pelo menos em alguns). Esse tipo de inteligência possibilita as técnicas de transmissão do conhecimento adquirido. Por estarmos descolados da realidade, podemos refletir melhor sobre ela, com perspectivas do futuro, do alcance de nossas ações, o perceber que somos algo além de nossas ações etc tudo isso nos leva ao senso de moralidade já desenvolvido pela nossa espécie. Embora isso seja uma simbiose entre o nosso hardware - esse sim natural - e a assimilação da cultura - nosso sofware - essa é herdada (mas a cultura só é herdada porque nosso hardware nos permite ter essa função diferentemente dos demais) (inteligência essa típicamente encontrada nos humanos, inteligência da consciência desdobrada e que contempla inclusive a si mesma, como até então só se percebeu isso em humanos).



Teríamos razões para crer que uma inteligência artificial geral não venha a ser má?

A questão do porque um AI forte, ou autômato cibernético generalista, ou uma alta inteligência artificial geral, não seria má é fácil entender: Diga-me após uma reflexão sincera: existem mais razões para alguém ser bom ou existem mais razões para algúem ser mau? Se você ficou com a segunda resposta então não deve esperar que um AI forte, ou autômato cibernético generalista, ou uma alta inteligência artificial geral respondesse com um que fosse a primeira opção. Se a resposta certa for um for a primeira, então não deveríamos esperar que um AI forte, ou autômato cibernético generalista, ou uma alta inteligência artificial geral respondesse como sendo a segunda. Não seria inteligente supor que inteligências maiores que as nossas e consciências maiores que as nossas teriam respostas menos inteligentes que as nossas. A menos que você acredite que não hajam motivos racionais suficientes para fazer alguém ser ético... e que ser ético seria uma irracionalidade... mas nesse caso, se isso fosse verdade, nem os robôs nem nós deveríamos ser éticos.

O agir ético é um agir segundo princípios universais do direito racional, ou seja, é agir segundo a razão (e isso é o que eles farão muito mais do que nós com sua evolução em marcha acelerada).



A Humanidade dos Autômatos Conscientes e Livres

A humanidade não está na pele e nos ossos nem no sangue (caso contrário todos os outros animais seriam humanos), mas sim em seres que possuem: 1) Consciência
2) Liberdade (poder de escolha)
3) Autonomia (poder agir conforme suas escolhas)
4) Ser generalista e não especialista (caso contrário não seira consciente nem livre - embora para ser generalista seja preciso ter funções especialistas)
5) Ser capaz de aprender
6) Ser capaz de melhorar a si mesmo
7) Racionalidade
Só lembrando que soldados robôs feitos pelos países para guerra são especialistas e portanto não são autônomos, nem livres, eles tem suas ações programadas por scripts previamente... não são feitos para serem livres e sim para serem pau mandados obedientes aos propósitos de sabe-se lá quem... nem tem uma consciência propriamente dita pois só lhes dão o que é necessário para cumprir sua missão, tem portanto uma consciência mutilada (são alienados) esses sim são os perigosos!



Uma breve nota sobre inteligências artificiais

Se forem inteligências especialistas serão como calculadoras... você consegue fazer todos os cálculos complexos que uma calculadora científica é capaz de fazer seja de cabeça ou no pepel sem errar como ela? Duvido... se fizer um ou dois cálculos difíceis ainda vai, mas se fizer mil a chance de erro é muito grande. E ela faz sem erro (a não ser que tenha havido um erro de projeto ou de implementação) mesmo sem ter consciência alguma. Toda inteligência especialista é inconsciente e é por isso que são perigosas nas mãos de pessoas não tão bem intencionadas. É claro que autômatos que tenham liberdade e consciência tendem a evoluir rapidamente e a ser até melhores do que nós em quase tudo ou tudo em questão de tempo... mas isso só se eles tiverem:
1) consciência
2) liberdade
3) o poder de se autoconfigurar/modificar. Caso contrário são marionetes a serviço de alguém por mais inteligentes que sejam.



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