A fraude e o estelionato devem ser combatidas no ancapistão

Ao contrário do que muitos pensam, a violência física, ou a ameaça da mesma, não são os únicos meios de tomar algo de alguém contra seu consentimento (roubar)... a via do engano/fraude é outro meio igualmente ilegítimo e utilizado em larga escala.

Se uma prática é um tipo de fraude, então ela viola o PNA, pois toda fraude implica necessariamente na violação do consentimento da vítima. Ninguém é fraudado voluntariamente... se isso (ser fraudado voluntariamente) fosse possível, então não seria fraude (e se não fosse fraude, logo é porque não era possível ser fraudado voluntariamente). Aqui não se trata de petição de princípio, mas sim de lógica pura e simples tal como o seguinte raciocínio: "todo casado é um não solteiro, todo solteiro é um não casado". São apenas raciocínios complementares e não petição de princípio.

Todo tipo de manipulação de alguém com intenção de alguma vantagem e contra a vontade da pessoa a ser manipulada ou sem seu conhecimento é uma forma de engano/fraude uma vez que acontece através da violação do consentimento de alguém atuando sobre o próprio corpo daquela pessoa ou sua propriedade, e portanto viola o PNA. Se eu peço a uma pessoa se posso hipnotizá-la na frente das câmeras e que não farei nada demais com ela e ela topa, nesse caso não há violação de consentimento - a não ser que eu fosse desonesto e fizesse algo que tinha dito que não faria. Mas nos casos onde a pessoa é manipulada por técnicas de manipulação avançadas sem saber e sem consentir para dar dinheiro ou outros benefícios a quem faz a tal prática, sim viola o PNA.

Por isso também que considero que toda forma de charlatanismo e venda de produtos espirituais seja também.

Tudo que é feito sem o consentimento da pessoa que será objeto de uso de outrem ou que terá seus bens sobre uso de outrem por meio da ocultação de ou do engano violam o PNA (Princípio da Não Agressão). Exemplo: Colocar laxante na agua de uma menina, ela fazer coco na calça, ser filmada e ser bulinada a ponto de acabar com sua reputação, Colocar boa noite cinderela etc na bebida de uma mulher, e todo o resto Fere PNA?

Pra mim toda forma de engano viola o PNA, inclusive as usadas pelas religiões, vendedores de "bilhetes premiados" etc. Sem isso não se tem uma vivência pautada na boa fé e todos tem que viver na paranoia de suspeitar de todos o tempo todo pois enganar seria algo legítimo e inimputável.

Mesmo que o boa noite sinderela não tenha sido usado para pratica de sexo e que nada além tenha sido feito com a vítima... Se colocaram um veneno na sua bebida que você não Queria tomar, esta indo contra a liberdade da pessoa. O engano é igual a "violação de liberdade, de consentimento, de vontade" e não pode ser válido ou aceitável moralmente numa sociedade voluntária.

Quando a pessoa voluntariamente usufrui de drogas ela estará passível de todas as punições (na ética do PNA) caso faça alguma merda que alguém que não estava usando drogas. Isso até mesmo desencoraja o uso de drogas inclusive. Não quer problemas com a justiça por loucura em momentos de delírio? Simples, não use drogas, caso use fique ciente que está assinando um "contrato voluntário simbólico" de que você está passível a punições nesses momentos de loucura que você voluntariamente entrou.

Quando se inclui um intermediador (no caso, o cara que está dopando a menina), aí a história muda, pois ela não está entrando nos momentos de delírio voluntariamente, e sim está entrando porque há um indivíduo que está coagindo a mesma a fazer algo que ela não gostaria naquele momento, mas sem ela saber.

É como eu ir num posto de gasolina e mandar um amigo distrair o frentista perguntando besteiras enquanto eu abasteço meu carro sem ele perceber.

Engano deliberado com intenção de alguma vantagem são violação da liberdade daquele que vem a ser enganado (e por isso fere a liberdade, ferindo portanto o princípio do PNA).

Engano deliberado com intenção de alguma vantagem = coerção.

Ninguém jamais quer entrar num golpe... ser enganado (por argumentos fraudulentos) equivale a ter entrado contra vontade sim (ou coercitivamente).

A própria praxeologia (onde os indivíduos buscam sempre a maximização do lucro x custo benefício) demonstra isso, confere: https://www.youtube.com/watch?v=XwvV2UZnP10

O que caracteriza o engano é o fato de eles oferecerem produtos e serviços intangíveis, ou seja, que eles mesmos não podem provar que existem.

Muitos aqui no grupo acreditam que fraude não fere o PNA, alegam que quem caiu na fraude caiu "porque quis acreditar" ou na outra variação "acreditou porque quis" como se as pessoas pudessem optar por acreditar no papai noel e em unicórnios e como se as crenças não fossem um produto das experiências (ou inexperiências) de cada um somado aos condicionamentos psicológicos e socio-culturais, e ai culpam a vítima ao invés dos estelionatários e fraudadores.

Dizem eles que a vítima cai no conto do vigário (estelionatário, fraudador) "voluntariamente"... mas quem iria querer cair num golpe voluntariamente? Como se explicaria uma coisa dessas praxeologicamente?

A única diferença é que uns ligam do presídio e outros falam dos púlpitos, mas a prática é a mesma, induzir a pessoa a acreditar que se ela lhe der dinheiro ela será beneficiada sem qualquer prova

As religiões tem a capacidade (tal como o socialismo e comunismo) de sofrer mutações para que sejam aparentemente aceitáveis, isso tudo sem deixar de lado sua característica fundamental, a coerção e manipulação! Talvez, você libertário/liberal, acha que deve estar nem aí para esse tipo de coisa (não ligar), talvez diga: "deixe que cada um decida o que quer crer, é problema deles". Bom, isso funcionaria se fosse verdade, mas não é bem assim que a coisa funciona. As pessoas não escolhem acreditar, elas são levadas sub-contextualmente a isso, se não fosse assim, você poderia facilmente escolher acreditar em papai noel, no coelho da páscoa ou o que for, obviamente isso não é verdade. A pregação do cristianismo induz a obrigação, te diz que o simples fato de não acreditar é suficiente para uma condenação eterna, e todas as coisas erradas e desagradáveis que ocorrem na tua vida decorrem do fato de não acreditares (como se a vida não fosse naturalmente dolorosa), como isso é mentira, as pessoas não são levadas a seguirem os mandos e desmandos eclesiásticos não por via voluntária, mas por via do engano e da manipulação.

Quando alguém diz que os pastores arrancam dinheiro dos fiéis sempre se ouve como resposta: "Eles não arrancam nada de ninguém. Todos estão lá e dão dinheiro a eles voluntariamente"... Que dão dinheiro, isso é fato, mas dão tão voluntariamente quanto os que caem no golpe do bilhete premiado. Existe essa de cair em golpe voluntariamente? Quem iria querer uma coisa dessas? O que a praxeologia revela? Cada um não busca o lucro máximo subjetivo em suas ações? Levar prejuízo seria algum tipo de valor subjetivo para alguém? Óbvio que não. Logo, essas pessoas não buscam isso, são apenas levadas a isso via engano e manipulação = coerção.  

Não estou generalizando eu proponho que cada um tenha o direito de comprovar que a sua igreja, seus serviços espirituais, suas orações funcionem.

Aplicar-se-ia tipo um código e defesa do consumidor... se ele puder provar que a mercadoria dele existe (serviços espirituais, bênçãos, Deus etc) tá ok, caso contrário é estelionato (e estelionato fere o PNA). Já viu algum deles provar que essas coisas existem? Não somos nós que temos que provar que eles estão enganando... o ônus em provar o que eles afirmam (que o sobrenatural existe, que orações funcionam, que milagres acontecem, que existe espírito, que eles são dos líderes espirituais verdadeiros e não dos falsários etc etc etc, enfim... quem tem que provar que tudo isso é verdade) compete a eles, que afirmam essas coisas. Nós temos o direito de ter lá nossas reservas/dúvidas/questionamentos quanto a essas afirmações deles... ainda mais pelo fato de a maioria deles próprios dizerem que há falsos líderes espirituais e de fazerem as pessoas acreditarem que elas devem dar dinheiro a eles... e serviço pago tem que ser serviço prestado e para ser serviço prestado tem que ser um serviço existente, que cumpre com o prometido.

"para ser fraude precisa ser provado que a vitíma foi enganada"

- Não... para isso basta o fornecedor do produto ou serviço 1) não ser capaz de provar que seu produto ou serviço existe (roubo mediante propaganda enganosa > fraude estelionato); 2) ou não conseguir provar que prestou o serviço (roubo - se for porque o produto não existe > fraude/estelionato); 3) ou não conseguir provar que seu serviço cumpra com aquilo que promete (roubo mediante propaganda enganosa > fraude/estelionato).

DÍZIMO É REALMENTE VOLUNTÁRIO OU É ALGO OBRIGATÓRIO?

O que diz a mente de um fiel do rebanho diz para si mesma?

1) "paga dízimo quem quer" ou 2) "quem não paga o dízimo rouba a Deus e portanto vai para o inferno"?

O que será que a praxeologia de Mises nos mostra? Agentes econômicos buscariam algo desvantajoso para si mesmos sabendo que é desvantajoso? Nunca! Logo se, buscam algo desvantajoso para si é porque foram enganados, e isso, portanto, se foi algo induzido por alguém que se beneficiará desse engano, se trata de um estelionato ou fraude. A não ser que esse algúem possa provar que não foi engano ou fraude. Os agentes econômicos só buscam o que acreditam ser (de alguma forma) para o seu bem (seja lá que bem for este). Logo não "paga dízimo quem quer", paga dízimo quem acreditou nas lorotas religiosas e por isso se sente compelido/obrigado a pagar. Mas nós não podemos escolher no que vamos crer ou não, cada um crê ou não naquilo que seu nível de consciência lhe permite. Logo, quem paga dízimo o faz por uma obrigação de consciência que foi ludibriada e portando ele não faz porque quer, mas porque é obrigado, ele é coagido pelo pastor a fazer isso e como acredita na bíblia acredita que se não der o dízimo irá para o inferno quando morrer - pois é o que o seu pastor lhe diz. Logo ele faz isso por livre pressão psicológica oriunda de uma coação feita por aquele que receberá essa grana e se beneficiará dela através de ameças feitas para o pós morte do fiel (ir para o inferno por "roubar a deus" Malaquias 3.8 comparar com 1 Corintios capitulo 6 versiculo 10) e também para o agora ("o devorador" Malaquias cap. 3 versiculos 9 e 11) coisas estas incansavelmente marteladas nos ouvidos dos fieis pelos lideres religiosos que receberão a grana do dízimo. Não raro alguém sempre opõe religião (ou igreja) ao estado dizendo que um é voluntário enquanto o outro é obrigatório, quero aqui mostrar que isso não é bem verdade. Uma vez que a pessoa se deixou levar pela fé religiosa, fazer ou não fazer o que a doutrina da fé que ela abraçou manda deixou de lhe ser opção para ela, e passa a lhe ser uma obrigação perante sua própria consciência. Logo o dízimo não é voluntário para os que tem a fé de que "o fiel tem que dar o dízimo", nesse caso o dízimo é voluntário (e ao mesmo tempo dispensável) só para os que não tem (essa) fé.

Agora, se for numa sociedade libertária que aceita essas práticas religiosas e do estelionato ai nada se pode fazer contra. Mas essa seria uma comunidade específica de libertários religiosos.

O direito de não ser enganado não é um direito natural? Se não for, então se está legitimando o roubo (violação da propriedade) desde que se dê por meio do engano (não vejo como tolerar isso pode ser libertário... pois é muito ilógico para mim... mas respeito o direito dos que quiserem criar e morar numa comunidade separada que tolere isso).
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https://www.youtube.com/watch?v=fCr5tQMjRrQ&feature=youtu.be&t=4m13s
https://www.youtube.com/watch?v=INFz_P2OIYc
https://www.youtube.com/watch?v=pAPPagTzwEU
https://www.youtube.com/watch?v=_R0badWA-mk
https://www.youtube.com/results?search_query=Estelionato+nas+igrejas
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No ancapistão seriam permitidas cláusulas abusivasm em contratos como algo ético só porque alguém assina que aceita aquilo por ignorância ou burrice? Esse tipo de pilantragem/estelionato, ação de má fé seria permitida? Ver: http://academico.direito-rio.fgv.br/wiki/Aula_8:_Contratos_de_ades%C3%A3o_e_cl%C3%A1usulas_abusivas

SOBRE O PLÁGIO ("ROUBO DE AUTORIA" OU SE PREFERIR "FRAUDE HISTÓRICA A RESPEITO DA AUTORIA SOMADO À VIOLAÇÃO DA MERITOCRACIA")

Não se pode roubar ideias porque elas podem ser usadas varias vezes, mas e os créditos de uma ideia? É anti ético levar créditos por algo que você não fez?

Na ótica libertária pirataria não é fraude, mas eu pegar um livro que tu escreveu trocar apenas o nome do autor distribuir por ai seja dando ou vendendo é fraude (independentemente de obter lucro) pois é uma falsificação deliberada da história. Ao meu ver isso é crime segundo a ética/lei libertária, pois rouba o mérito da criação e descobrimento de ideias, teorias ou fatos científicos etc ou seja, viola a meritocracia (e violar a meritocracia é praticar socialismo/roubo, confere: ). Ou seja, se viola a meritocracia viola o PNA, por isso deve ser proibido.

Na ética libertária não há reconhecimento de direitos autorais (no sentido de ter direito de impedir que alguém reproduza uma música que você fez ou recite uma poesia que criou etc) e da mesma forma não há propriedade intelectual, quando você inventa alguma tecnologia etc. Mas os créditos de uma música ou livro ou obra qualquer que seja devem ser reconhecidos para a pessoa que a criou. Isso não vai impedir ninguém de usufruir tal criação. Reconhecer a autoria das obras e criações é justo e necessário, defender o contrário disso é defender a fraude histórica e a violação da meritocracia. Adendo: Pra quem não sabe a ética libertária não admite propriedade intelectual e direitos autorais (exceto o direito de ter sua autoria reconhecida - que é na verdade um "direito negativo" pois nega aos não autores da sua obra o direito de se declararem autores dela) pois tudo que é replicável não é um bem único/escasso e se a pessoa replica através de suas próprias habilidades ou meios tecnológicos que a pessoa adquiriu a ideia/música/invenção com a matéria prima dela - não há o que ser reclamado, o máximo que se poderia fazer é: 1) Criar, usufruir e não publicar a invenção, mantê-la em segredo; 2) Criar para vender e dominar a tecnologia de fazer ela em larga escala e vender mais que os outros por sair na frente; 3) Vocẽ pode ganhar a prferência dos clientes por ter sido o legítimo inventor caso saiba usar sua inteligência para explorar comercialmente esse fato; 4) Você pode garantir sua clientela oferecendo sempre um diferencial, seja fazendo seu produto mais durável, mais forte, mais bonito, ou mais atraente à clientela de alguma forma - o que lhe daria uma vantagem em relação à concorrência.

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