Ética Consequencialista X Ética Deontologista

Existe uma forma de refutar o libertarianismo e afins, é algo bem conciso. Para negar todos os direitos negativos e naturais dos indivíduos, basta atacar um pilar: a auto-propriedade.

Como é sabido, o jusnaturalismo busca, a partir de "supostos" fatos auto-evidentes, que não necessitem de outras justificações ad infinitum (como se dá no juspositivismo), deduzir toda uma ética sobre quais condutas são universalmente certas ou erradas.

Se você for capaz de demonstrar através do emprismo - afinal você é um consequencialista e não um desses "dogmáticos aprioristas" - que a vida de um indivíduo não pertence a ele próprio, que a auto-propriedade é inexistente ou injusta, sua tarefa estará cumprida e aposto que inúmeros libertários farão mea culpa.

A única função da ética/filosofia libertária é delimitar o que nao pode ser feito a agentes, ou seja, uma ética negativa. Direitos que dão soberania e liberdade aos proprietários legítimos. O libertarianismo afirma que é errado agredir agentes pacíficos, que é errado desrespeitar o consentimento (propriedade) de indivíduos - e por isso mesmo, matar, roubar, estuprar, etc, são universalmente errados.

Pois bem, se vocêconseguiu achar um argumento que atesta a invalidez da auto-propriedade, então fará todos os libertários estremecerem. Releia o parágrafo anterior.

Tentar refutar a auto-propriedade implica em: a) assumir-se escravo, não pertencente a si mesmo, ou b) negar que exista qualquer propriedade - ou seja, não seria universalmente errado te matar por exemplo se por uma boa intenção visto que tu não seria dono do teu corpo e os outros então não teriam o menor dever ético racional de não te matar. Pois por uma boa causa (intenção) um crime (perante o direito natural) poderia ser cometido, e todas as regras de condutas seriam imposições arbitrárias e a única coisa que poderia guiar a ação humana seria o cálculo de benefícios e prejuízos pessoais imediatos sem qualquer tipo de escrúpulo - mas isso valeria, tanto para ti, quanto para os outros, é necessário lembrar!

Caso você ainda não esteja convencido(a) suficientemente do absurdo que é tentanr refutar a auto-propriedade, recomendo que escolha a opção "a" e se declare escravo, propriedade do estado. Diga que sua vida não é um direito, mas que é uma permissão concedida por teu proprietário (o governo).

Se você não posui proprietário, e se não é dono de si mesmo também, está a dizer que teu corpo não pertence nem a ti nem a nenhuma outra pessoa, logo você estará sob risco de vida - apesar de eu crer que as pessoas te tomarão mais por piadista ou louco, ao invés de "se apropriarem" de ti e te violarem. Buscar por vontade própria refutar uma suposta "ideologia" já é exercer auto-propriedade.

A única alternativa à ética jusnaturalista (ou como alguns, como eu preferem que seja chamado para garantir um pouco mais de precisão ao termo: ética jusracionalista) é a "ética" juspositivista. Mas, você concorda que você existe? Se sim, prossigamos. Concorda que a sua vida pertence a você? Concorda que é errado forçar pessoas a fazerem o que você quiser, violando seus consentimentos, se elas nada fizeram contra você, se elas não desrespeitaram tua propriedade? Se sim, bem-vindo(a) ao jusracionalismo! Caso contrário, lamento por tua falta de honestidade.

Defender a ética deontológica ou jusracionalista implica apenas em aceitar o fato de que algumas condutas são necessariamente impróprias ou inaceitáveis.

Ética deontológica é a ética do dever, ela implica em que algumas condutas são sempre devidas, por si mesmas, independentemente das consequências geradas, sejam elas boas ou ruins - respeitar a propriedade alheia é um exemplo de dever ético. A deontologia é jusracionalista justamente por se apoiar na ontologia (propriedades, atributos) dos agentes morais para determinar o que é legítimo ou não - nada tem a ver com supostos direitos divinos, consequencialismo apoiado na biologia ou apelo ao direito consuetudinário.

Se a tua vida te pertence, isto implica que você tem o direito de não ser morto, ou seja, que outras pessoas tem o dever de não te matar. Se você é dono de si mesmo, se és proprietário legítimo de sí próprio, sua vontade sobre si mesmo deve ser respeitada: logo, é universalmente anti-ético coagir pessoas inocentes e pacíficas.

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