Benefícios Da Religião

A religião como mitos que fornecem um refúgio nas tempestades da vida, fornecem sugestão psicológica de auto-ajuda que trabalha a auto-estima, a confiança e a determinação - armas fundamentais para combater na guerra psicológica contra as adversidades e vencer


Afinal, religião e ciencia podem andar juntas? Sim, desde que em linhas paralelas bem distintamente separadas. A merda surge quando se tenta justificar coisas da religião pela ciência/filosofia ou quando se tenta afirmar coisas em ciência/filosofia baseadas em religião (e em alguns casos surge uma mistura dessas duas coisas, ai é a merda da merda). A primeira coisa que se tem que saber é que fé é algo absurdo, que não faz sentido logicamente, depois disso nunca tentar achar justificativa para a fé (até porque se tivesse alguma deixaria de ser fé - mas sem deixar que a tua fé afete teu juízo sobre aquilo que você sabe que científicamente/filosoficamente verdadeiro).

Quanto mais coisas terríveis acontecem, e elas são evidências sólidas e intermináveis que se tem de que deus não existe (note, eu disse "evidências" e não "provas"), mais necessário (psicologicamente falando) parece ser o ter que acreditar na existência dele, e, de que tudo que ocorre está estritamente dentro de seu plano e cuidado para conosco, para que, pensando dessa forma, se possa suportar a existência e conferir um pouco de sentido e propósito supremo desconhecido às merdas graves que acontecem na vida sem desistir de tudo.

Acredito que a religião seja válida como auto-ajuda, desde que a pessoa esteja ciente de que é isso e nada mais, que as verdades da religião são via de regra mentiras, mas mentiras úteis ao homem para sua caminhada na terra. Tipo aquelas mentiras de pai ou mãe para filho/a quando este se sente feio/a e a mãe diz "não diga isso, você é o/a menino/a mais bonito/a do mundo!". Por mais que a criança não vai acreditar nisso de forma literal, pois sabe que não é verdade, mas isso a ajuda a pelo menos não se achar tão feia quanto se achava antes e assim conseguir virar a página e seguir a diante com um uma dose maior de auto-confiança e auto-aceitação. O problema é quando a pessoa acredita literalmente no mito e quer afirmá-lo como uma verdade de verdade! Seria como se a tal criança comprasse a ideia de realmente ser a mais bonita do mundo e começasse a se achar... ai ao invés de se obter benefício se obtém malefício da religião.

A religião é aquela coisa pra ser acreditada como verdadeira mas sabendo que é falsa. É feita pra ser acreditada emocionalmente mas rejeitada racionalmente - pois sua real função seria a de cumprir um benefício psicológico sobre o indivíduo, que lhe reforça a confiança, a coragem, a esperança de realização das aspirações e sonhos, tirando a pessoa da rota de colisão com a desesperança, a desistência, o entregar-se à sorte etc e direcionando sua força e energia através da canalização e concentração da mesma, juntando a ela a continuidade de uma outra força (imaginária) que, através da confiança, se somaria a ela. A questão é que essa confiança traz benefícios reais, que se manifestam primeiramente no plano psicológico e depois no plano energético do corpo, pois ela ajuda a vermos qualquer barreira por maior que seja como algo pequeno ou no mínimo superável.

Essa tese se aproxima um pouco da teoria da dupla verdade, da doutrina averroísta, segundo a qual, haveria uma verdade da fé que seria oposta à verdade da razão. Pra nós é mais ou menos isso, só que sabemos que a verdade da fé não é verdade de verdade, embora para cumprir seu efeito positivo deva ser acreditada (no plano psicológico) como se o fosse. E isso não é um duplipensar, pois por estarem em níveis psíquicos diferentes elas podem, desde que com o devido cuidado e habilidade mental, coexistir sem se chocar uma com a outra e sem que uma suplante ou roube o lugar da outra. Charles Darwin acreditava em algo bem parecido com o que estou propondo aqui, e ao que me parece Richard Dawkins também, pois ele reconhece em deus uma forma de delírio humano ao qual somos, por nossa própria natureza levados a ter, coisa esta da qual ele parece só ver coisas ruins, pois parece estar a observar mais as consequências negativas da religião no mundo (que não são poucas) do que as consequências positivas da fé no dia-a-dia do indivíduo (certamente que ela também prejudica o indivíduo em algum aspecto, mas parece, na maioria dos casos, ou na maior parte do tempo, mais ajudá-lo do que prejudicá-lo - caso contrário ele não a buscaria, como a maioria dos indivíduos a busca. A fé parece ser um auxílio muito valioso para a vida para a grande maioria das pessoas [ignorantes e ou fracos de espírito, que como disse Nietzsche "o fanatismo é a única força de vontade acessível aos fracos"] por isso, a religião (ou melhor a fé/crença no mito da religião) acaba sendo uma coisa que, de certo modo, ajuda em um aspecto vital a maioria das pessoas, pois serve de parâmetro para a resolução de conflitos internos permitindo assim que a pessoa passe por cima desses conflitos e avance adiante para resolver as coisas da vida - visto que a maioria ou é fraca de intelecto ou de determinação e energia vital [as vezes até de ambas] e nesses casos ter uma religiao talvez possa ajudar).









Alguém poderia dizer, como eu mesmo pensava até algum tempo atrás, que para isso não é necessário religião mas sim apenas espiritualidade. A questão é que não parece ser possível uma espiritualidade rica o suficiente para ser efetiva (causar os benefícios que escrevi acima) sem uma religião (congregação de vários mitos e crenças interligadas que visam traser tais benefícios psicológicos e os destes derivados). Hoje até se pode conceber uma espiritualidade sem religião, porque já passamos pela religião... mas tal espiritualidade fica vaga, não é rica nem sólida, não parece ser capaz de produzir aquele tipo de efeito e beneficiar os adeptos tal como faria a crença religiosa (desde que desconsideremos os vários prejuízos de se acreditar nos mitos da religião como verdade absoluta e tentar substituir a razão por eles - que é o grande erro, pois eles devem apenas complementar a razão sendo uma ferramenta meramente psicológica de auto-ajuda, mas sempre se deve manter vivo na consciência a diferença e a realidade e a ficção, por mais que esta última nos seja útil).

A fé seria justamente essa crença psicológica, essa confiança emocional que deve influenciar o agir, mas por outro lado não deve suplantar a razão, a razão deve ser o guia e a fé o combustível em direção ao destino apontado pela razão e pelos caminhos da razão. Tal razão deve inclusive servir para ajudar a escolher uma religião que mais benefícios poderia trazer com o mínimo de malefícios possíveis, para criticar o que não faz sentido nela, rejeitar partes dela quando se mostrarem perniciosas ou injustas à luz da razão.


Uma aproximação com o fideísmo e o realismo metafísico escolástico

Nosso conceito aqui é um meio termo entre o fideísmo e o realismo metafísico escolástico. Se aproxima do fideísmo pois no fideísmo se admite a crença em deus sem a pretenção de tentar provar que deus existe (como alguém que descobriu que tal missão é impossível e portanto desistiu dela, mas não desistiu de se beneficiar do aspecto positivo da religiao, o benefício de auto-ajuda, que começa pela psiquê e depois irradia o corpo, as relaçoes etc desde que não se polua tal positividade com a negatividade do fanatismo cego que quer defender os mitos da religião como verdade e não apenas como mitos úteis para se obter benefícios psicológicos que nos ajudarão a viver melhor se neles acreditarmos psicológicamente, sem uma crença cega, e sabendo, racionalmente, que no fundo, na realidade, eles não são verdade). E é esse último ponto mencionado que nos aproxima, por outro lado, do realismo escolástico. Pois não abrimos mão da racionalidade, apenas nos permitimos voar um pouco com nossa imaginação e a confiança que ela pode nos ajudar a vir a ter, em nós mesmos, na vida; a força para não esmorecer, que dela podemos extrair, e assim continuar firme na luta, seguindo a vida, com ânimo renovado (é o que os crentes chamam de estar "renovado"), e com perseverança (sem desistir jamais - mas também, por outro lado, sem abrir mão de sua sanidade mental [ao tentar substituir a realidade pela ficção] jamais).


Mostramos acima o que nos aproxima tanto do fideísmo quanto do realismo metafíco escolástico, mostraremos agora, por outro lado, o que nos distingue ou distancia dos mesmos.

O que nos distancia do fideísmo, é que eles, ao contrário de nós, acreditam piamente no mito de forma irrestrita negando o valor da razão. O que nos distancia do realismo metafíico escolástica é que ela, de certa forma, coloca a razão a serviço do mito instrumentalizando-a (para ela, a razão se torna um meio de fazer as pessoas chegarem a crer no mito, e o mito seria a verdade absoluta, já as verdades da razão seriam algo inferior e de menor importância). Já nós, ao contrário do fideísmo, concebemos que os mitos, ao contrário do que pensa o fideísmo nao devem ser acreditados de forma irrestrita e nem se deve jamais negar o valor da razão. Por outro lado, nós, ao contrário da corrente majoriatária do realismo metafíico escolástico que tem como seu maior representante a figura de Tomás de Aquino, concebemos que a razão não é um meio para levar as pessoas a crerem numa verade absoluta que nos seria dada nos mitos, mas sim, pelo o contrário, os mitos são sempre, como uma bengala, um meio útil para nos ajudar nos problemas da vida quando ainda não dispomos de uma forma de resolver nossos dramas, angústias e problemas puramente pela via racional, mas os mitos não são a verdade, embora acreditar neles de forma não absoluta e irrestrita possa nos ajudar ou fazer bem, desde que sem abrir mão da razão como o nosso único guia.

Numa analogia, entendemos que a razão deva ser o mapa, o volante e o freio. E que a fé deve ser o combustível e o acelerador. Com a razão no volante a religião/fé poder ser útil e valiosa, e sem a razão no comando, pode ser um desastre. E sem a religão/fé em cena, pode faltar combustível para viagem ou o acelerador emperrar um pouco as vezes nos fazendo andar menos rápido do que poderíamos. O desafio é usufruir da religião/fé sem deixar ela te controlar, mas você tendo ela, na sua vida, sob o controle da razão. Quem conseguir fazer isso, certamente obterá mais benefícios a médio e longo prazo que todos os demais que não fazem isso, seja por estarem eles de um lado (mito sem razão) ou de outro (razão a serviço do mito).


Uma observação sobre o título deste artigo seguido de algumas considerações importantes

Talvez o título devesse se chamar "benefícios da crença religiosa" ou "benefícios da fé" ao invés de "benefícios da religião", pois muitas vezes na prática, a religião acaba sendo, aos olhos daqueles que não abrem mão da razão, mais um empecilho para a fé ou para a crença (psicológica) religiosa do que algo favorável a ela, pois os religiosos, não raro, deixam muito a desejar e são frequente causa de decepção, pois se vê muita hipocrisia, cinismo, infantilismo etc entre os religiosos (talvez justamente por eles tentarem negar a realidade em favor dos mitos - isso fazem tanto os fideístas quanto os ditos realistas metafísicos escolásticistas, não todos, claro, mas costuma ser a regra entre os religiosos e não a exceção).

Por isso, os benefícios mesmo advém, mais especificamente, da crença psicológica nos mitos da religião. Ou seja, da fé nos mitos da religião, mas uma fé diferente dessa comum que vemos por ai, que é "aquela que não quer saber o que é a verdade", mas, ao invés desta, a fé (crença psicológica) nos mitos religiosos, mas não só isso, é uma fé que não depende da religião, nem dos religiosos, (embora possa ouvi-los de vez enquando) e nem abre mão da razão como seu único guia - exceto quando a própria razão mostra que, em algum caso de um problema para o qual já se pesquisou exaustivamente por soluções e nada do que se encontrou pode ajudar, então, num caso desses, por não haver solução possível no momento pela via natural/racional, vale a pena usar a bengala da fé e se alçar no mundo das possibilidades, da transcendência, e confiar com o máximo de certeza que se puder ter que de alguma forma, ainda que tudo pareça indicar ser o contrário, aquela solução buscada, e pelos outros alegada como sendo impossível, mais cedo ou mais tarde vai chegar.

E nesse momento não se deve parar de procurar a solução esperando que ela caia do céu, mas continuar fazendo tudo que se pode para alcançar tal solução, com a confiança de que vai encontrar e vai lutar até o fim sem jamais desistir, sem jamais desacreditar que é possível (até porque aqueles que talvez bem intencionados e ingenuamente tentam matar a tua esperança te dizendo que aquilo é impossível não tem como provar que é impossível, e a chance dele estar mal informado sobre a real possibilidade ou impossibilidade daquilo e estar apeans repetindo um clichê que aparenta fazer sentido para a maioria, é gigante).

Esse modo de emergência da mente (estado de exceção mental) deve sessar naturalmente assim que o problema tiver sido superado, e apesar de parecer ter sido um momento de irracionalidade, acreditar firmemente na possibilidade da solução para um problema tido como insolúvel até por especialistas (exemplo, uma doença tida como incurável), rejeitando e desprezando afirmações em sentido contrário tipo "não existe cura para essa doença" (que significa na verdade "eu, médico e os médicos com quem aprendi, e os médicos que me influenciaram até agora, ainda não conhecemos algo que cure isso") que não são provas da incurabilidade da doença (seja ela qual for que eles alegam ser incurável) por exemplo. Tal atitude ao contrário do que possa parecer não é irracional, pelo contrário, é racional, pois o fato de os médicos ainda não terem descoberto a cura (ou seja, o fato de ela não estar acessível no momento) não significa que ela não exista ou não possa vir a existir a qualquer momento.

E claro, mesmo esse estado de exceção mental no qual se aumenta a dose de fé não deve suplantar a razão, não se deve abrir mão de fazer tratamentos, por exemplo, esperando uma cura milagrosa ou coisa do tipo - pois fazer isso seria idiotice. Até porque, como mostramos, muitas vezes coisas são afirmadas como sendo impossíveis, doenças classificadas como incuráveis, problemas como insolúveis, quando na verdade não são impossíveis, incuráveis e insolúveis, são apenas impossíveis, incuráveis ou insulúveis com os recursos disponíveis no momento ou com o conhecimento disponível no momento a quem descreve aquilo como sendo impossível, incurável ou insulúvel - e eles como eles não sabem tudo, eles podem estar equivocados.

Pensar dessa forma no dia a dia para todas as coisas em geral (supor que os outroes estejam errando etc) seria loucura, mas quando tudo pra você, sua vida, ou de alguém que você ama, depende disso, então pensar de tal forma, nesse caso, é a mais racional das formas de pensar, pois se houver 1% de chance de os prognosticadores que dizem que algo é impossível, incurável, insolúvel estiverem errados, então é preciso ter 99% de fé de que é possível, é curável, existe solução sim, ainda que eles não saibam, não queiram ou tenham vergonha de admitir que não sabem e por isso seja mais cômodo simplesmente chamar uma doença de cura desconhecida como "incurável" ou um problema de solução desconhecida como sendo "impossível" de solucionar.


A transcendência como 'o mundo das possibilidades' - e nada mais do que isso

A "transcendência" para mim nada tem a ver com deus ou mundo espiritual, mas sim com o mundo das possibilidades (que fazem parte do real). Estar aberto à transcendência é exatamente ser capaz de olhar ao seu derredor ir além das coisas que já se tem no mundo no presente (ou além das coisas que existem no nosso pequeno mundinho pessoal, bairro cidade, distrito, país e que talvez já existam em outro lugar e nós desconheçamos e suspeitar que isso já pode existir em algum outro lugar). Estar aberto à transcendência, é estar disposto a ir além do que já existe ou de ir além do que já se sabe no seu mundinho pessoal e, com base na razão, conceber coisas que podem vir a se tonar realidades - seja no universo como um todo, ou numa região específica onde aquilo não existia ainda, embora já existissem em outro lugar e naquela região se desconhecesse a existência da mesma.

Dito de outra forma, a transcendência para mim é aquilo que não escapa do factível e que pode sim muito bem vir a acontecer. Ou seja, dentro do mundo material aquelas coisas que podem muito bem virem a acontecer no futuro ainda que não saibamos agora exatamente como elas acontecerão nem talvez qual será seu mecanismo de funcionamento. Coisas que já acontecem agora em algum lugar do mundo, tal como, por exemplo, um tratamento que está tendo êxito em curar uma doença dita incurável, e que, pelas limitações de nossas capacidades ou pela limitação do nosso conhecimento, ainda desconhecemos. E o simples fato de ignorarmos a existência de uma solução, ou de uma cura, ou de ignorarmos a possibilidade de que esta venha a existir, não é prova cabal de que ela não exista ou de que tal solução ou tal cura jamais possa vir a existir.

É fato que, só porque aqueles que alegam que uma determinada doença seja "incurável" não possam provar que ela nunca poderá ser curada, isso não é, automaticamente, uma prova de que a cura já exista. Concordo, porém o correto seria sempre complementar a frase dizendo que a tal doença e "incurável no momento" ou "incurável naquele instante", deixando claro que e esse status de "incurável", ao contrário do que o termo possa (parecer) sugerir, não é permanente, mas pode vir a mudar a qualquer instante. Fazendo assim se afastaria um tipo de compreensão errônea que acaba colaborando com o desfeixo trágico de muitos pacientes por médicos que dizem "não ter mais o que fazer pelo paciente", e com isso, pelo contrário, se estaria sempre lembrando que é sempre válido continuar procurando alguma forma de curar tal mal, e, portanto, o fato de ainda não haver a cura não deveria ser a causa de desenganar pacientes, mas apenas de alertá-los de que se trata de um caso de uma doença para a qual, o hospital e ele enquanto médico ou a junta médica dele, ainda não conhecem a cura, mas que estarão pesquisando e procurando sobre novas possibilidades de cura e que farão tudo o que for possível para descobrir a cura e para curar o paciente.

Esse sim deveria ser o procedimento a ser feito, e não o de ficar repetindo ad infinitum que não tem cura e desenganando as pessoas. Qualquer pessoa preferiria morrer como cobaia de um médico que está dando tudo de si tentando salvá-la do que, o médico simplesmente desistir de tentar salvar ela e apenas lhe passar remédio para a dor enquanto ela aguarda seu último dia de vida porque ela tem uma doença rotulada como "incurável" ("impossível de curar"). Usei muito esse exmplo da cura e tal só mesmo por ser um exemplo bem icônico e que toca a todos nós mortais de perto, (em especial a mim que sempre me incomodei com esse termo), pois é algo que um dia pode vir a acontecer com qualquer um de nós - e também porque a área da saúde é de grande interesse meu (enquanto ser biológico).


A religião por mexer com a imaginação das pessoas com seres espirituais poderosos etc, tende a fazer com que elas se abram à transcendência e creiam que o impossivel de hoje pode ser possível amanhã ou depois com a interferência de seres espirituais (anjos, deuses etc)

A religião, ou melhor, a fé, ou a crença religiosa, tem a capacidade de fazer as pessoas se abrirem à transcendência, acreditarem no improvável e naquilo que para muitos parece impossível. É claro que ninguém precisa de religião pra saber que o que é impossível nesse instante com os recursos disponíveis agora pode deixar de ser impossível no instante seguinte desde que se obtenha novos recursos que viabilizem a possibilidade daquilo, que, sem esse recurso era impossível de ser feito. Mas não podemos deixar de mencionar que a religião, apesar de todos os seus apesares (e não são poucos) proporciona e estimula a abertura à transcendẽncia (o mundo do possível), o que é uma coisa boa. Porém, por não ser uma abertura ao transcendente baseada na razão, no razoável, ela também pode dar falsas esperanças e decepcionar pessoas que, ao invés de usar a fé de que alguma cura existe ou poderá exisitr, para alguam doença que tenam, e então ir na busca dela através da ciência, a pessoa se lança a confiar em meros rituais religiosos e rezas ou sacrifícios em busca da cura para a doença - e em troca pouco ou nenhum resultado obtém - o que não é raro acontecer também. Então, se por um lado a abertura ao trascendente é importante, igualmente importante é que seja uma abertura ao transcendente não fantasiosa, que seja uma confiança de que aquilo que se espera vai acontecer mas pelas vias naturais e não magicamente (como a maioria dos de mentalidade religiosa e ingênua tendem a acreditar).

O problema é que ela mistifica a mente das pessoas, ou seja, faz elas crerem que algo é possível pelas causas erradas (tipo, "fulano vai ser curado de câncer porque encostou no lencinho do pastor") que na maioria das vezes não terão efeito nenhum (exceto o efeito placebo caso a pessoa já estivesse perto de ter uma cura espontânea mesmo ou em casos de meras coincidências [tipo, a pessoa já está fazendo dieta cetogênica ou o tratamento com ozônio intravenoso somado a injeções de solução de água com bicarbonato de sódio sobre o tumor a um bom tempo, ai encosta no lencinho do pastor e depois vai dizer que foi o lencinho que o curou e não as terapias que realizou] - pois correlação não implica necessariamente em causalidade [o fato de a cura ter acontecido depois de ter tocado o lencinho do pastor não quer dizer que ela tenha acontecido por causa de ter tocado no lencinho do pastor]).

Ai entramos no terreno da exploração da credulidade, de inocência e da ingenuidade das pessoas pelos mercadores da fé - coisa esta que ocorre desde os níveis mais descarados até os mais sutis e refinados para fazer parecer que não há nenhuma intenção de se tomar o dinheiro das pessoas (é só pra "manter a obra" etc e tal) em 50 tons de picaretagem não raro através da fraude e do estelionato (que na maioria das vezes passa batido pois a justiça estatal faz vistas grossas pois a religião, via de regra, é sempre usada para legitimar a existência do estado na mente das pessoas, e o estado, em compensação, como recompensa por esse trabalho da religião, dá legitimidade à religião e faz vistas grossas aos seus trambiques legitimando-a - o que se configura, nesse caso, numa simples troca de favores entre o estado e a religião).


Se você chegou a esta página porque estava lendo o artigo Minha Posição Sobre Deus e Religião então a continuação é este artigo aqui.

Fé, transcendência e cura

Por André Caregnato

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