Autoconhecimento pela Respiração

Este curso é um convite à exploração de novas dimensões de sua vida a partir de mudanças em sua respiração. Nele serão experimentadas meditações baseadas em maneiras de respirar, capazes de revelar potenciais adormecidos e enriquecer a vida com amor, saúde e harmonia.

Em vivências progressivas e inspiradas, você descobrirá como a respiração consciente e profunda leva a uma mudança na qualidade de vida em diferentes áreas, trazendo mais energia ao corpo, relaxamento à mente e uma amorosidade espontânea que torna a vida mais vibrante e agradável.

No plano espiritual, a mudança na respiração proporcionará um silêncio interno que pavimentará o caminho para a meditação profunda, abrindo espaço para sentimentos de êxtase e liberdade interior.

A cada encontro serão experimentadas novas técnicas de meditação e ritmos respiratórios que aumentam a clareza e o discernimento e dão suporte à maior aventura possível a nós, a descoberta de nós mesmos.



Respirar é Viver.

Pedro Tornaghi.

Nossa maneira de respirar pode mudar nossa percepção da vida.

Respirar é, mesmo, sinônimo de vida; mas a quase totalidade das pessoas prefere ignorar esse fato. E, claro, paga um preço por isso. As grandes mudanças qualitativas que podem ocorrer em sua vida, podem ocorrer principalmente através da respiração.

É imediato, uma vez que você liberta a respiração, começa a se perceber mudando em todas as particularidades e níveis, e se descobre com todas as habilidades mais afinadas. A sua dispersão se transforma em atenção, a insegurança em confiança, os seus medos vão espontaneamente se dissipando e você repentinamente encontra entusiasmo para levar a sua vida à frente.

Mudar a respiração não muda tudo em nós, mas muda muita coisa e certamente, muda o que nos é mais essencial.

A restrição da respiração cerceia a saúde e a inteligência num só golpe. Da mesma maneira, a sua restauração alimenta e otimiza todas as suas qualidades. Se por dezenas de anos sua respiração vem sendo superficial, a sua musculatura se tornou fixa e você não tem mais a mesma disposição para lutar por aquilo que quer e acredita; e não sabe de onde vem a falta de disposição. Mas isso pode ser mudado. A respiração pode ser progressivamente restaurada e você desenvolver potenciais que vinham sendo esquecidos ou postos de lado e, com isso, ter um melhor proveito em todas as áreas da sua vida. Um jogador de futebol que fica 15 dias parados, quando volta a jogar, já não consegue um desempenho à altura de seu desafio e de suas qualidades. Imagine se seus músculos respiratórios ficaram dezenas de anos sem serem devidamente utilizados… É necessário agora uma revitalização respiratória, que significará uma fisioterapia emocional e vital para você.

Reaprender a respirar profundo é reaprender a ter profundidade na relação com a vida, uma profundidade natural, que surge sem medo, sem ameaças e sem esforços hercúleos; mas que brota naturalmente em suas palavras, comentários e visão. Uma profundidade que não ameaça, mas que constrói e lhe possibilita ver onde você está “errando” em cada área da sua vida e como transformar seus comportamentos inadequados em atitudes rumo ao seu sucesso e felicidade.

Respirar naturalmente é reintegrar e restaurar a personalidade, se reintegrar àquilo que você tem de único e de mais especial. E, com isso, descobrir para que você nasceu e que dons e vocações possui; e conseguir usá-los da melhor maneira possível.

Sem respirar plenamente, não é possível viver plenamente; a pessoa estará sempre se restringindo nas mais diversas áreas da vida, seja na profissional, na amorosa ou na sua capacidade de ser feliz como um todo, no seu discernimento, no seu reflexo, na sua inteligência, e até mesmo na sua saúde. Algo vai sempre permanecer incompleto em tudo o que ela faz. Sua capacidade de comunicação será restrita. Por outro lado, uma vez que a respiração se afine, tudo entrará nos trilhos em sua vida.

Respirar amplamente é ampliar a consciência. Respirar totalmente é otimizar a saúde. Respirar livremente é ser saudável emocionalmente. Respirar naturalmente, como toda criança nasceu sabendo fazer, é restituir a inocência, o discernimento e a capacidade de percepção direta da vida. É restituir acuidade aos sentidos, restituir o direito de escolha e o direito de se sentir bem no mundo em que você vive. Enfim, respirar bem é o primeiro e o mais definitivo passo para se tornar uma pessoa feliz, consciente e realizada.

A mudança da respiração destrava as mais essenciais barreiras que vinham limitando o seu desenvolvimento como pessoa e o seu alcance como ser social. Se você é vítima de medos inexplicáveis e passa a prestar atenção à maneira como respira enquanto os medos lhe atacam e cerceiam, e se da próxima vez em que esses medos brotarem, você experimenta respirar diferente, você vai se surpreender como esses medos irão se dissipar e você não conseguirá mais sustentá-los lhe atormentando. Como algo surpreendente acontece. O medo imediatamente perde o seu suporte e desaparece.

O mesmo pode acontecer com a raiva, a depressão, a tristeza; todos esses sentimentos são associados a maneiras de respirar e podem ser transformados com uma mudança no ritmo respiratório. A raiva pode ser transformada em compaixão, a depressão em serenidade, a tristeza em sensibilidade, ou até mesmo em alegria se você preferir. A respiração desbloqueada se torna música para você.

E como benefício adicional, como o pulmão envolve o coração, respirar plenamente massageia o coração, melhora a circulação do músculo do coração, evitando e prevenindo todas as doenças relacionadas a ele, ao mesmo tempo em que torna você uma pessoa mais amorosa e emocionalmente alimentada.

E, sem amor, não há ponte possível entre você e o divino.



Ritmos Respiratórios & Universo Interior

Pedro Tornaghi

Se quisermos investigar as diferentes possibilidades da respiração e as implicações que as diversas maneiras de respirar podem ter em nossa psicologia e estado emocional, convém começar por suas qualidades físicas. Por exemplo, o ritmo respiratório é feito de dois movimentos básicos, inspirar e expirar. Se entendermos o que cada um desses movimentos produz, nas camadas mais superficiais e nas mais profundas de nossa psique, teremos dado um passo importante para um relacionamento mais consciente e saudável com o ato de respirar.

O que cada um desses movimentos significa em essência? A inspiração nos energiza enquanto a expiração é um momento de relaxamento. A inspiração ativa o metabolismo, estimula nossa capacidade de trocar energia com o que está em volta, enquanto a expiração nos induz a um instante de entrega. A inspiração está para a força como a expiração para a sensibilidade.

Logo, com esses mínimos dados, já é possível começar uma exploração prática de sua relação com a respiração. Experimente, por exemplo, alongar o tempo de cada inspiração e diminuir o da expiração, o que acontece? Você ficará mais disposto e disponível para se lançar em atividades dinâmicas.

Certa vez, eu estava começando um curso de Criatividade e Meditação com um grupo de pessoas muito resistentes, elas eram em sua maioria da área tecnológica e trabalhavam em uma grande empresa de comunicação que havia me contratado na expectativa de que o workshop as deixasse menos estressadas e mais criativas. Em nosso primeiro encontro elas se apresentaram tão passivas e desenergizadas que estava difícil propor qualquer trabalho mais dinâmico. Fiz uma experiência com elas, coloquei a música Cajá de Caetano Veloso para tocar – uma música em compasso 5/4, um ritmo que divide cada célula de tempo em 5 tempos – e pedi a elas que inspirassem nos 4 primeiros tempos de cada compasso da música e expirassem no último. Depois de 5 minutos, elas pareciam cuspir energia pelos olhos, e se mostravam aptas e até desejosas de um trabalho ativo. Esse ritmo pode ser muito útil para quem passa por crises de falta de motivação, por ciclos viciosos ou por momentos de inércia ou acomodação.

O contrário também é verdade, tente, durante 5 a 10 minutos, soltar o ar o mais lentamente possível e, depois, espere o corpo inspirar por si só. Nessa nova maneira de respirar você controlará a saída do ar, mas não controlará a entrada. Isso provocará um leque de desdobramentos e benefícios em você. Em primeiro lugar, por soltar o ar o mais lentamente possível, chegará o momento em que seu corpo sentirá urgência de ar e, nesse momento, ele provocará como que um pequeno solavanco na inspiração, o que lhe possibilitará experimentar a restauração do reflexo natural do diafragma. O diafragma é o principal músculo envolvido na respiração e, em uma sociedade como a nossa, voltada para o controle, a tensão e a ansiedade, ele se tornou um músculo tolhido de seu reflexo natural. Experimentar esse reflexo acontecendo novamente tem uma infinidade de implicações positivas e nos dá, de imediato, uma sensação de liberdade emocional e psicológica que, por si só, já justificaria o experimento. Mas não é apenas isso, esse ritmo lhe tornará uma pessoa mais afável, acolhedora e gentil, aumentará sua paciência, serenidade e capacidade de concentração. Ele o tornará uma pessoa mais disponível para a meditação e mais sensível para os acontecimentos subjetivos.

Uma das verdades envolvidas nos dois exercícios acima é que no primeiro você passou mais tempo inspirando, ou seja, na parte ativa da respiração, no segundo, passou mais tempo expirando, na parte passiva da respiração. Só isso já foi o suficiente para o primeiro o deixar mais disposto e o segundo mais calmo, receptivo e reflexivo.

Podemos ainda explorar os ritmos por outros ângulos. Em experiências em meus cursos, em exercícios de respiração acompanhados pela música de Mozart, Bach, Paisielo, Handel, Vivaldi, Britten e outros, descobrimos muitas coisas nos anos em que estávamos criando a Terapia da Respiração. Uma das descobertas dignas de nota foi perceber que exercícios embalados por músicas de ritmos trinários deixavam a pessoa mais dinâmica, ágil, alegre, com sensação de potência, força e grandiosidade e exercícios com trilhas sonoras de ritmos quaternários, aumentavam no praticante a sensação de estabilidade, segurança, repouso e senso de realidade. Com o tempo passamos a usar exercícios em ritmos trinários para pessoas que se queixavam de ser excessivamente reflexivas mas pouco dinâmicas e exercícios de ritmos quaternários para pessoas que se mostravam muito sensíveis, mas com dificuldade de estruturar suas vidas. Os praticantes não precisavam saber o que era um ritmo trinário ou quaternário, precisavam apenas saber qual música acompanhar durante o exercício, dependendo do resultado desejado.

Mas, a exploração de ritmos com a respiração não se restringe a esses fundamentos, esse parece ser um universo infinito. O que pode acontecer se passamos a adicionar outros elementos à respiração? Por exemplo, os workshops de terapia da respiração sempre nos confirmaram que a respiração pela boca está para a emoção como a do nariz está para o pensamento. Isso quer dizer que o mesmo ritmo respiratório de que falamos acima, que traz espontaneidade ao diafragma, pode induzir mais à espontaneidade mental, se feita pelo nariz, ou emocional, se praticada pela boca.

Da mesma maneira, técnicas com ritmo quaternário, quando praticadas pelo nariz, induzem à estabilidade mental enquanto, uma vez feitas pela boca, induzem à ordenação de conteúdos emocionais. Já técnicas de ritmo trinário, se utilizadas pelo nariz, trazem dinamismo mental, aumentam a capacidade de decisão, o reflexo de raciocínio e a eficiência da percepção e da memória. Se feitas pela boca, as mesmas técnicas, tiram a pessoa de estados de inércia emocional e a ajudam a limpar-se de antigas mágoas, ressentimentos e medos irracionais, estimulando o espírito de aventura e produzindo na pessoa um carisma envolvente.

A relação das técnicas de respiração com a boca e o nariz fica ainda mais rica quando nos lembramos que podemos inspirar pelo nariz e soltar o ar pela boca ou vice-versa. A inspiração pelo nariz e expiração pela boca é a mais calmante das possibilidades da respiração. É fácil de entender. O nariz é um tubo mais apertado que o canal da boca, logo, exige um pouco mais de pressão, de força muscular para o ar passar por aí. Já a respiração com o ar entrando pela boca e saindo pelo nariz pode criar uma sensação interna de compressão na pessoa. A primeira possibilidade costuma ser agradável e a segunda pode causar desconforto em alguns casos.

Mas ainda não precisamos parar por aí. Nesses mesmos workshops, descobrimos meio que por intuição, meio que por acaso, que os ritmos sincopados desenvolvem a criatividade. Ritmos sincopados são ritmos onde respiramos no contra-tempo da contagem dos compassos, no tempo mais fraco e menos óbvio. As respirações de ritmo sincopado costumam ser muito úteis para que as pessoas enxerguem pontos cegos em si.

Podemos ainda respirar continuamente ou com o ar entrecortado, podemos fazer todos esses ritmos acima mais acelerados ou mais calmos, colocando mais força ou suavidade em diferentes momentos da respiração, podemos criar sequências de ritmos respiratórios que combinem diferentes ritmos para chegar a uma estratégia definida para os mais diversos fins.

Quem se utiliza das sequências respiratórias da Terapia da Respiração pode se beneficiar de muitas formas objetivas ao aprender a atenuar a ansiedade, a insônia ou o desânimo, ao melhorar constantemente o desempenho pessoal e desenvolver talentos adormecidos mas, a mais essencial qualidade dos ritmos respiratórios é, sem dúvida, a oportunidade que se abre à nossa frente de estabelecermos e trilharmos uma estrada de investigação clara e direta de nosso universo interno.



A Trilha Libertadora da Respiração

Pedro Tornaghi

 

Todos respiramos, o tempo todo, mas nunca nos perguntamos: e o que é respirar? Talvez por ser tão essencial, esse ato nos passa despercebido o tempo todo. O tempo todo. A maioria de nós nem percebe se está respirando fluentemente ou com dificuldade. Só percebe quando a dificuldade está prestes a se transformar numa impossibilidade. Se respirar é viver, talvez, se estivéssemos mais conscientes de nossa respiração, pudéssemos estar também mais conscientes de nossas próprias vidas.

E, acho que por isso mesmo nos tornamos inconscientes; estarmos mais conscientes de nossas próprias vidas incluiria estarmos perceptivos de sofrimentos, o que seria por si só sofrer. Porém, também é verdade que, ao conhecermos o veneno, conheceríamos o antídoto. Entrar em contato com o sofrimento interno e manter a espontaneidade da respiração, nos levaria ao prazer do passo seguinte. O prazer do simples sentir, o prazer do sentir que sente; o prazer de sentir, não aquilo que fere nossos poros, mas de sentir os próprios poros. E, se o sofrimento for caminho para isso, que seja, se o preço do maná divino for caro, que o cobrem de uma vez, e que o usufruamos desde já.

Uma vez tomada essa decisão nos surpreendemos, descobrimos que passamos décadas evitando o crescimento por intuir que o crescer envolve sofrimento, mas que na verdade, o que provoca – e eterniza – o sofrimento não é crescer, mas  a própria resistência ao crescimento. Ao acender a luz, a escuridão desaparece, ao respirarmos profundamente, os mais temerosos fantasmas evaporam, ao permitirmo-nos sentir o grande sofrimento que achávamos carregar dentro de nós, vem a revelação: o sofrimento não era enorme e nem tinha vida própria, nós quem lhe conferíamos vida, força, tamanho e longevidade, ao resistir a ele. E, quem precisa disso? Quem verdadeiramente precisa disso?

Sofrer é vício? É vício necessário? Ou é estratégia equivocada do bem viver? Ou é ilusão de conforto? Por que o alimentamos diariamente como a um filho querido? Será por simples medo de que a vida aconteça?

Temos medo de nos entregar por inteiro ao crescimento, seja lá o que isso signifique; daí, vamos com metade do coração, metade da atenção, como se estivéssemos nadando com o nariz metade para fora, metade para dentro d’água. Não dá para ir longe assim, não haverá fôlego suficiente. Vamos divididos e, dividido, ninguém tem fôlego o suficiente para atravessar o grande canal. Precisamos das duas pernas para andar, e que a musculatura inteira contribua, no mesmo sentido. Mas, uma parte nossa coopera com o crescimento, outra é contra e resiste. Esse conflito interno cria, alimenta e perpetua o sofrimento. E, para evitá-lo, nos tornamos inconscientes de nós, inconscientes da vida e aí, é melhor tornar-se insensível à respiração.

No entanto, quando nos permitimos sentir de novo, progressivamente, mais e mais, a respiração, vem uma revelação: vamos abandonando a idéia de termos que sofrer para crescer. E é importante abandoná-la. Se você cooperar inteiramente com o crescimento, não haverá sofrimento. De todo. Se você estiver inteiramente entregue do movimento de crescer, você se deleitará; cada novo instante na estrada do crescimento será prazer e êxtase.

Mas, como tomar essa atitude se o desejo de tomá-la é consciente, mas o medo que a evita, se arma nos porões do inconsciente e não temos acesso a ele? É verdade, a consciência não tem acesso pleno às regiões onde os medos e as restrições ao crescimento foram plantados dentro de nós, mas isso não nos impede de desmontar esse mecanismo anti-vida. A respiração pode ser o caminho. Um caminho acessível mesmo a quem caminhou pouco ou quase nada nessa direção.

Todas as restrições que criamos ao nosso crescimento refletiram em restrições à respiração, escutando essa respiração, estaremos escutando também às restrições criadas e aos medos que as motivam. E, pasme, ao se sentir escutado, o medo vai deixando de ser medo, o medo vai se tornando sensibilidade, a chave que fechava nossas portas, passa a ser a chave que as abre.

Experimente você mesmo, torne-se você mesmo sabedor disso na prática. Abandone a ideia de que é necessário sofrer para crescer e dedique uma hora de seu dia,  apenas a sentir sua respiração, o que quer que isso signifique para você; e você verá medos e restrições se dissolvendo, você começará a sentir uma sensação de liberdade, de descanso, de vivacidade, de inteligência… você se verá crescendo em muitos aspectos de sua vida. Mas, lembre-se, nessa hora separada para esse ritual, dedique-se apenas ao sentir a respiração. Tranque-se em um quarto, sem nenhuma outra atividade, sem nada de prático ou objetivo para ser resolvido e… sinta-a… sinta-a… e sinta-a novamente, e novamente, e novamente.

Sempre que se perceber disperso, observe a dispersão e sinta como você sente a respiração durante a dispersão. Se você se pegar pensando sobre problemas que não estão no quarto neste momento, observe como você pensa e… sinta como está a respiração durante o seu pensar naquilo.

Alcançar isso já seria uma grande revolução na sua vida. Uma enorme revolução. Mas, é possível ir ainda mais além com a respiração e com o que pode ser entendido como crescimento. A respiração traz consigo muitas possibilidades e é possível explorá-las. Certas respirações específicas desenvolvem capacidades também específicas nossas, uma respiração em ritmo quaternário na parte direita de nosso pulmão por exemplo, pode estimular uma capacidade de concretização de planos, inimaginável a um ser que, até hoje, era  essencialmente um sonhador; uma respiração em ritmo trinário no lado esquerdo do pulmão pode desenvolver a criatividade em alguém que se avaliava incapaz de sê-lo.

Sentir plenamente a respiração pode ser o primeiro e o mais essencial e revolucionário passo já dado numa vida, mas, um passo, descortina caminhos e mais caminhos de exploração, vida afora, pelos terrenos da condição humana. A ciência da respiração tem em si a possibilidade libertadora e a possibilidade de nos retornar o leme, as velas e os remos de nossa nau, para que justifiquemos o direito à vida que recebemos, para que realizemos a maior viagem ao nosso alcance, a viagem pelo mar nunca d’antes navegado de nosso próprio existir.




O Mapa da Respiração

Pedro Tornaghi

A respiração possui um mapeamento desconhecido para a grande maioria das pessoas.

A parte alta do pulmão está para o futuro, como a mediana para o presente e a baixa para o passado. O lado esquerdo está para a emoção e a intuição como o lado direito para a razão. Assim, por exemplo, abrindo e oxigenando melhor a parte alta esquerda do pulmão, conseguimos planejar melhor o futuro, e ventilando generosamente a região direita alta, estimulamos os centros nervosos responsáveis pela concretização de projetos.

É possível através da respiração, conhecendo o seu mapa, fazer uma revisão no que consideramos impróprio em nosso comportamento e em nossa condição interna emocional e psicológica, apenas estimulando certas regiões da respiração.

Desenvolvemos durante a vida alguns padrões de respiração que restringem o fluxo de energia a certas áreas de nosso corpo e privilegiam outras. Esses padrões, condicionam o comportamento, limitando reflexos e escolhas. Uma pessoa normal, varia durante o dia entre três a quatro padrões básicos de respiração e modula de um para outro sem nunca se dar conta do que eles significam. Por vezes ela acha que há algo errado com ela, que não tem determinados talentos para conseguir certas proezas e não se dá conta de que a resposta está logo abaixo de seu nariz, em seus pulmões.

Por exemplo: se ela tem facilidade para estudar português mas dificuldade para a matemática, nunca lhe passa pela cabeça relacionar sua dificuldade com a maneira de respirar. Ela simplesmente acha que tem um talento e o seu vizinho outro, e não percebe que varia, durante o dia, entre três ou quatro maneiras de respirar diferentes das adotadas pelo vizinho, que por sua vez, também se restringe a três ou quatro.

Ela possui a mesma capacidade respiratória dele, e, se aprender a observá-lo, entendê-lo e imitá-lo na maneira de respirar, vai desenvolver as mesmas regiões da inteligência que estão mais desenvolvidas nele. Sem perder os dons que já possuía, é importante que se diga, ela irá adquirir novos “talentos”. Cada pessoa pode variar sem problemas entre dez ou doze padrões respiratórios durante o dia, sem deixar de alimentar seus talentos e vocações principais, mas desenvolver também outros lados de sua personalidade que estavam à sombra, por falta de alimento e estímulo.

E não apenas talentos podem ser desenvolvidos, mas o ânimo emocional pode ser totalmente revolucionado com a geografia da respiração. Por exemplo: uma pessoa com boa auto-estima certamente tem um padrão respiratório totalmente diferente ao de uma vítima da fraca auto-estima. Ao mudar o padrão respiratório correspondente, a baixa auto-estima perde sua sustentação.

Nem sempre é fácil mudar padrões estabelecidos no inconsciente. Não é fácil, mas é possível. Há mantras específicos de desencouraçamento das diferentes regiões do pulmão, assim como há ritmos respiratórios apropriados para mudar cada padrão viciado de respiração.

A Terapia da Respiração classifica 84 ritmos respiratórios básicos capazes de transformar a percepção e restaurar o fluxo vital do corpo, otimizando funções vitais e nos livrando de radicais livres. São ritmos desenvolvidos para mudar a amplitude, a qualidade e a profundidade da respiração, melhorando a ventilação nas diversas áreas do pulmão, estimulando todo o sistema vital, desenvolvendo a personalidade como um todo, nos tornando pessoas multi-talentosas.

Melhorando o funcionamento dos sistemas respiratório, circulatório, digestivo, nervoso e endócrino e instituindo uma maneira de respirar plena e profunda, a Terapia da Respiração nos orienta para sua finalidade última: a libertação espiritual.

Para isso, ela se utiliza dos pranayamas do yoga e de respirações do Chi-kun, entre diversas técnicas milenares de respiração orientais, aliadas a descobertas recentes sobre os possíveis efeitos dos diferentes ritmos respiratórios.

É uma terapia acessível a todos, uma vez que todos os que estão vivos respiram, e têm o direito de mudar a maneira como vêm fazendo isso.

É só experimentar.

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Prometeu e o Alento Sagrado

.Pedro Tornaghi

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Conta a mitologia grega que, em tempos imemoriais, certo dia Prometeu resolveu criar um boneco feito de barro e limo. Insatisfeito com a inércia de sua criação, ele ousou subir ao Olimpo e roubar de Zeus o fogo divino – privilégio exclusivo dos deuses até então – para soprá-lo pela boca de seu boneco e, com isso, conferir-lhe vida. Foi assim, segundo os gregos, criado o primeiro homem.

De lá para cá muita coisa aconteceu e o homem se esqueceu de sua origem e de quase tudo que fosse essencial à sua existência. Esqueceu-se que inspirar significa permitir a entrada do fogo divino, significa acatar o caos original e deixá-lo transformar-se – misteriosamente – em ordem dentro do corpo; esqueceu-se também que expirar comporta o significado de devolução: depois de vertida a ordem em dissolução, morte e caos dentro do corpo, chega a hora de devolver o alento vital ao universo. A aceitação do fogo divino em cada inspiração tem sido, na Índia, o principal segredo da vitalidade dos iogues e é a base de quase todo o trabalho corporal e energético oriental. Essa aceitação também é vista no oriente como o caminho recomendável para quem deseja alcançar um entendimento existencial da matéria enquanto energia, a grande escola para se transformar experiência em consciência.

O mito de Prometeu remete também à relação da respiração com a consciência, uma vez que, animado pelo fogo e alento olímpicos, seu boneco passou a pensar, questionar e tomar decisões próprias. A respiração foi a chave usada por Prometeu para conferir a independência que ele desejava e pressagiava ao homem.

É relativamente fácil reconhecer que respiração é energia e talvez muitos entendam ser ela responsável pela possibilidade de consciência, mas, por que será que tão poucos lançam mão, na prática, desse recurso? Por que será que, existindo técnicas de respiração disponíveis para tornarem a pessoa mais inteligente, perceptiva, atenta e feliz, tão poucos as praticam? Será falta de informação, interesse, medo de transformação? A última hipótese não se justifica, já que, desde Lavoisier, sabemos que tudo se transforma, o tempo todo. É inexorável. E essa transformação pode obedecer às leis da inspiração ou às da expiração, às leis da vida ou às leis da morte. Se formos governados pela mente – ao invés de governá-la – a dinâmica da transformação em nós apontará na direção da destruição. Se, ao contrário, deixamos que a transformação ocorra segundo a força organizadora que perdura por trás e sustenta toda a existência, a experiência da transformação nos guiará, sempre, por caminhos que levam à vida e ao movimento. E naturalmente, como no boneco de Prometeu, à consciência.

O fato de que a vida começa em nossa primeira respiração é pleno de significados passíveis de reflexão. A palavra parto vem de “partir”, partir de um lugar para outro, de um estado para outro, de um estado sem respiração própria para outro de autonomia vital. Mas, então, por que tão poucos lançam mão do seu direito à autonomia? E como fazer para passar a ser senhor de si, da própria consciência e das próprias escolhas e decisões?

Se o segredo, como propõe Prometeu, pode estar na respiração, poderíamos começar por aceitar o poder transformador presente em cada inalação e exalação; em deixar a respiração operar sua arte em nós e devolver dignidade à vida. Mas, como aprender a aceitar? Como encontrar um caminho para desfazer-nos de nossos medos e defesas, tão bem plantados em nossos inconscientes, e abrirmos nossas asas para os vôos mais altos? Vôos ambiciosos, mas que nos são de direito desde o nosso nascimento?

Com o intuito de responder a essas perguntas e possibilitar uma nova dimensão no relacionamento com a vida, foi elaborada a “Terapia da Respiração”, método de reeducação respiratória que alia antigas técnicas orientais a experimentos e descobertas recentes. Ela é constituída de seqüências de movimentos e ritmos respiratórios que dissolvem tensões na musculatura profunda e desbloqueiam e reabilitam a respiração. Os benefícios são ao mesmo tempo físicos, emocionais, mentais e espirituais, possibilitando à pessoa estar mais próxima de si mesma e, ao mesmo tempo, livre de angústias, medos, ansiedades e outras maneiras de auto-engano.

Por meio dela é possível descobrir, aos poucos, uma pulsação própria, única e intransferível da respiração que norteia e orquestra todos os demais ritmos do organismo. Essa harmonização dos ritmos internos, enquanto liberta a pessoa de influências nefastas externas e equilibra humores internos, promove a saúde física, o equilíbrio emocional e a lucidez mental. A Terapia da Respiração é um passo possível no sentido de dar suporte ao sonho de Prometeu, de produzir um homem livre e auto-gerido, um homem disponível para viver para a felicidade e a realização. Plenamente..





Os Sentidos Internos e o Senhor do Castelo

.Pedro Tornaghi

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Se você quer alcançar sua realidade última, comece por sua realidade mais próxima, que é o corpo. O corpo possui uma sabedoria própria. Você cruza com ela a cada momento, mas normalmente não está disponível para percebê-la, notar suas nuances e decifrar seus sinais. A mente sempre esquece de seus propósitos, mas a inteligência que comanda o corpo está sempre atenta, sem nunca arrefecer, ao comandar as batidas do coração, os movimentos peristálticos do intestino ou o fluxo da respiração.

O corpo é engenhoso por estar diretamente ligado à fonte de sua inteligência criativa, o espírito. O corpo é o lado exterior de seu ser e o espírito é o interior. O corpo é a porção exterior do espírito e o espírito é a porção interior do corpo. O espírito é como um filme não revelado; o corpo é o mesmo filme, depois de revelado. Uma vez revelado, quem tem olhos, pode reconhecê-lo. Algumas pessoas quando meditam, se vêem como seres humanos tendo uma experiência espiritual, outros, têm a sensação de serem espíritos passando por uma experiência humana, não importa, a verdade é que somos uma coisa só, e se experimentamos essa unidade, podemos constatar isso. Mas, como chegar à essa unidade? Para isso é preciso chegar à sua porção “esquecida”.

O corpo é a casa do espírito e, se você quer encontrar o espírito, o melhor lugar para encontrá-lo é em casa. Vá até sua casa com a intenção de visitá-lo, porém, não espere que ele esteja à porta. Toque a campainha; tenha a generosidade de tocá-la e, em seguida, abra a maçaneta e entre, por que ele está sempre lá, sentado, no centro da casa, quieto, calmo, disponível, inteirado de tudo o que acontece na casa. Quando você encosta na maçaneta, ele já percebe. Você não o percebe, mas ele já te percebe. Quando você adentra pelos corredores, você ainda não o percebe, mas ele acompanha, passo a passo, respiração a respiração, a sua aproximação.

Para entrar numa casa, você pega na maçaneta e abre a porta. Para chegar no espírito você faz a mesma coisa, abre a porta do corpo, que são os sentidos, através da maçaneta que são as meditações que envolvem os sentidos, incluindo aí, as “meditações da visão e da audição”. Se os sentidos externos são as portas e janelas da mansão, os sentidos internos são os corredores que levam ao âmago dela, onde habita a sua sabedoria interior.

Sim, se o corpo é o castelo do mestre que mora em você e os sentidos são as portas e janelas que dão acesso ao interior do castelo, é neles que a aventura de exploração deve começar. E a aventura deve continuar com os sentidos internos, os corredores que conduzem ao quarto do mestre, à intimidade máxima dele, ao seu domínio. Devemos persistir e prosseguir neles. Porém, quando o fazemos, encontramos uma dificuldade: a mente é o mordomo desse castelo. Quando o mestre se ausenta, ela fica se achando dona do castelo. O mordomo é sempre o culpado, a mente extrapola seus poderes e funções e tenta comandar o castelo. Quando adentramos o castelo interno, o mordomo que tomou conta do castelo fará de tudo para não perder a soberania.

A mente será ladina com você, criará dispersões, enganos, ilusões que o distraiam, arrastará correntes para assustá-lo e, principalmente, fará muito barulho dentro do castelo para que você não escute a voz suave e delicada do mestre, recolhido no quarto central. Experimente não escutar a mente e avance para o centro de si, você encontrará o mestre intacto, a mente não teve a ousadia – ou a capacidade – de destruí-lo, apenas o escondeu de você.

No entanto, mesmo não dando ouvidos à mente, há outro fator que dificulta a aventura: a casa está escura e os seus sentidos passaram muito tempo adaptados à claridade externa, eles se encontram sem sensibilidade para enxergar com pouca luz. Como quando você está na rua em um dia ensolarado e de repente entra em uma casa escura, você demora um pouco para começar a enxergar, suas pupilas precisam de um tempo para relaxar e deixar os olhos sensíveis à luz mais sutil do ambiente, você só tem a luz que entra da janela. Depois de alguns minutos você já é capaz de perceber um cinzeiro cheio sobre a mesa do telefone, ou que o copo sobre o piano está cheio de água, mas no início, você nem percebia o cinzeiro ou o copo. Basta esperar um pouco.

No início da exploração interna é semelhante, basta esperar um pouco que se começa a perceber coisas dentro de si que não se percebia antes. No entanto, se você quer chegar em seu âmago, é preciso algo mais; quando você se aproxima do centro do castelo, você se distancia também das janelas da sala, a escuridão é muito maior, não basta apenas relaxar as pupilas, é preciso desenvolver um novo olho, uma nova pupila, é preciso começar a utilizar os sentidos internos.

Para isso foram criadas as meditações da visão, para possibilitar essa exploração, desde os primeiros momentos na entrada da porta, até os últimos, deixando nossos olhos internos tão sensíveis, que podemos enxergar a incrível riqueza e harmonia de cores de dentro do castelo e perceber o mínimo movimento de nosso mestre interior. De quebra, essas meditações tornam o ouvido interior delicado e perceptivo, o suficiente para se escutar os sussurros mais íntimos do mestre. As meditações começam por melhorar os olhos e ouvidos físicos, deixando-os mais precisos, mas em seguida vão nos deixando aptos a perceber cada vez mais o que se passa em nosso íntimo mais inalcançável, até então.

Os sentidos internos são o instrumento natural e adequado para que você escute a voz interior e passe a atuar orientado por sua sabedoria mais legítima. Quando desenvolvidos em sua plenitude, você passa a sentir o aroma do mestre interno o envolvendo a todo momento, você passa a sentir a presença dele em seu toque, perceber a presença dele por trás do seu olhar e, seus amigos mais despertos, passam a também perceber a presença dele através de seu olhar. Seus amigos mais despertos perceberão que você contatou a fonte de todos os seus talentos, virtudes e discernimento.

Não conhecer o mestre interior, é perder a oportunidade de uma vida, é perder o próprio crescimento, o próprio desenvolvimento, é contentar-se em ser uma semente que nunca chega a germinar, muito menos a dar ramos ou flor.

Mas, há ainda um porém, se os sentidos internos podem lhe levar à experiência maior, à experiência que não cabe em palavras, à experiência preciosa e fugidia a sentidos inquietos, eles não são garantia suficiente de que a experiência será duradoura. É necessário quietude para permanecer nessa experiência. Aí volta a entrar a importância das meditações da visão, com sua habilidade de desintoxicar os sentidos e acalmar olhos e cérebro. Os sentidos “pacificados” e purificados pela meditação proporcionam essa quietude e podem tornar a vida tão bela, amorosa e divina quanto possível. Os sentidos “descontaminados” percebem matéria e espírito como unidade indissolúvel. Os sentidos internos desobstruídos percebem a presença do espírito na matéria e percebem o invólucro, a roupagem da matéria no espírito. Percebem a matéria como tradução do espírito. Os sentidos externos lêem a matéria, os internos lêem a língua do espírito, lêem o livro no original, sem tradução. Um direito seu de nascimento. Um direito acessível a qualquer um. Pratique e veja.



Respiração: Porta para uma Nova Dimensão



Respiramos continuamente desde o momento do nascimento até o momento da morte. Tudo muda entre esses dois pontos. Tudo muda, nada permanece o mesmo;

Somente a respiração é algo constante entre o nascimento e a morte.

A criança se tornará um jovem; o jovem envelhecerá. Ele ficará doente, seu corpo se tornará feio, doentio; tudo mudará. Ele será feliz, infeliz, em sofrimento; tudo continuará mudando. Mas o que quer que aconteça entre esses dois pontos, a pessoa terá que respirar. Seja feliz ou infeliz, jovem ou idoso, bem sucedido ou não – o que quer que você seja, isso é irrelevante – uma coisa é certa: entre esses dois pontos, do nascimento e da morte, você precisa respirar.

Respirar será um fluxo continuo; nenhum intervalo será possível. Se, mesmo por um instante, você esquecer de respirar, você não mais será. Eis porque não é exigido que você se lembre de respirar, porque então seria difícil. Alguém poderia esquecer por um momento, e então nada poderia ser feito. Assim, realmente, você não está respirando, porque você não é necessário. Você está bem adormecido, e a respiração continua; você está inconsciente, e a respiração continua; você está em coma profundo, e a respiração continua. Você não é solicitado; o respirar é algo que continua, apesar de você.

Esse é um dos fatores constantes na sua personalidade – essa é a primeira coisa. É algo que é muito essencial e básico para a vida – essa é a segunda coisa.

Você não pode viver sem a respiração. Portanto, respiração e vida se tornaram sinônimos. Respirar é o mecanismo da vida, e a vida está profundamente relacionada com o respirar. Eis porque na Índia chamamos isso de prana. Temos usado uma palavra para ambos: prana significa vitalidade, vivacidade. Sua vida é a sua respiração.

Terceiro, sua respiração é uma ponte entre você e seu corpo.

Constantemente, a respiração está interligando você com o seu corpo, lhe conectando, lhe relacionando com o seu corpo. A respiração não é somente uma ponte para o seu corpo, é também uma ponte entre você e o universo. O corpo é apenas o universo que veio até você, que está mais perto de você.

Seu corpo é parte do universo. Tudo no corpo é parte do universo – cada partícula, cada célula. É a abordagem mais próxima para o universo. A respiração é a ponte. Se a ponte for partida, você não estará mais no corpo. Se a ponte for partida, você não estará mais no universo. Você se moverá para alguma dimensão desconhecida; e não mais poderá ser encontrado no espaço/tempo.

A respiração, portanto, se torna muito importante… a coisa mais significativa. Se você puder fazer alguma coisa com a respiração, você irá repentinamente estar no presente. Se você puder fazer alguma coisa com a respiração, você irá alcançar a fonte da vida.

Se você puder fazer alguma coisa com a respiração, você pode transcender o tempo e o espaço. Se você puder fazer alguma coisa com a respiração, você estará no mundo e também além dele.

A respiração tem dois pontos. Um é onde ela toca o corpo e o universo, e o outro é onde ela toca você e aquilo que transcende o universo.

Conhecemos somente uma parte da respiração. Quando ela se move para o universo, para o corpo, nós a conhecemos. Mas ela está sempre se movendo do corpo para o “não-corpo”, do “não-corpo” para o corpo. Não conhecemos o outro ponto. Se você se tornar cônscio do outro ponto, do outro lado da ponte, do outro pólo da ponte, repentinamente você será transformado, transplantado para uma dimensão diferente.

O indivíduo não precisa praticar um estilo particular de respiração, um sistema particular de respiração ou um ritmo particular de respiração – não! A pessoa precisa tomar a respiração como ela é. A pessoa precisa apenas tornar-se cônscia de certos pontos da respiração.

Existem certos pontos, mas não estamos cônscios deles. Temos estado respirando e continuaremos a respirar – nascemos respirando e morreremos respirando – mas não estamos cônscios de certos pontos. E isso é estranho. O homem está buscando, investigando fundo no espaço. O homem está indo para a lua; o homem está tentando alcançar mais longe, da terra para o espaço, e o homem ainda não aprendeu a parte mais próxima de sua vida.

Existem certos pontos na respiração os quais você nunca observou, e esses pontos são as portas – as portas mais próximas a você, de onde você pode entrar para um mundo diferente, para um ser diferente, para uma consciência diferente. (Osho - The Book of Secrets” – Discurso #3)

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