Argumento Kalam Refutado

Premissa 1: Tudo que veio a existir, tem uma causa.
Premissa 2: O universo teve um começo.
Conclusão: Portanto, o universo tem uma causa.

REFUTAÇÃO 1:

Explicação no formato 1:

O argumento já começa com uma afirmativa restritiva "Tudo < que veio a existir >", o que não é o padrão na filosofia ou na lógica onde o padrão é que a primeira premissa seja uma afirmativa universal onde se busca dar a máxima extensão à afirmativa para a classe de coisas sobre a qual se vai falar (no caso, as coisas que existem) o que levaria a ter a forma "tudo que existe" e não "tudo que veio a existir". Exemplo, "todo homem é mortal" (não seria estranho se a afirmativa fosse "todo homem gordo é mortal"? Isso sucitaria o memso tipo de questionamento - porque só "homem gordo"?). Isso nos leva a questionar, porque a afirmativa "Tudo que < veio a existir >, tem uma causa" não foi uma afirmativa universal do tipo "Tudo que existe"? Porque que ele afirma de tal modo que ela se restrinja a uma classe de coisas salvaguardando uma outra que só seria preenchida, na concepção de Kalam, com Deus sendo que ele ainda não provou que esse mesmo Deus existe? Ou seja, ele está pressupondo a existência de Deus logo na primeira premissa, pois ele considera que só Deus é algo "que não passou a existir", logo a conclusão a que ele chega já estava na sua premissa inicial. E isso não é um argumento valído mas sim a falácia de petição de princípio.

Explicação no formato 2:

A tática de isentar a conclusão (Criador) da causalidade exigido de todo o resto - com nenhuma evidência de que qualquer ser "sem causa" ou objetos "não contingente" especiais realmente existam - faz com que o Criador (a suposta coisa incausada) se torne uma parte da definição da premissa, o que faz com que o raciocínio seja circular.

Explicação no formato 3:

A premissa 1 se vale de uma classe, a de "tudo que veio a existir". Só que para que essa classe faça sentido, é necessário pressupor uma classe de coisas "que não vieram a existir" ou "que não tiveram um começo". Mas ai que vem o problema, quais seriam essas coisas? Primeiro seria necessário provar a existência das mesmas para o que a premissa fizessse sentido e portanto o argumento fizesse sentido. Se respondem "Ah, é Deus", a resposta seria: mas ai tu já está pressupondo na premissa o que tu queria provar na conclusão, isso não vale, é a falácia de petitio principii (também conhecida com os nomes de: argumento circular, círculo vicioso, petição de princípio).

Explicação no formato 4:

Percebe-se uma alteração feita 'ad hoc' na expressão da primeira premissa, onde o termo "veio a existir" foi posto no lugar do termo "existe", como artifício criado já apartir da perspectiva da conclusão (ou seja, já pressupondo na premissa a conclusão como verdadeira) para tentar provar a mesma conclusão (sem sucesso, é claro).

Explicação no formato 5:

O Argumento Cosmológico de Kalam, para funcionar, necessita da suposição/crença de que: 1) Deus existe, 2) que ele é um ser necessário, 3) que ele é eterno, 4) que ele criou o universo, 5) e que o universo um ser ou ente contingente. Entretanto, o argumento foi criado justamente para tentar provar esses pontos.

REFUTAÇÃO 2:

O argumento Kalam usa a Falácia da Súplica Especial

A Falácia da Súplica Especial é a falácia na qual se aplicam padrões, princípios, regras, et cetera... à posição opositora, enquanto espera que sua posição esteja isenta das mesmas regras, sem prover qualquer justificação racional para esta isenção.

Esta falácia também é conhecida pelos seguintes nomes: Falácia de alegação especial, falácia de apelo especial, alegação especial, apelo especial.

REFUTAÇÃO 3:

Nâo é impossível supor que a matéria e a gravidade sejam preexistentes ao Big-Bang e que perdurem e depois do calapso deste tendo sua origem ainda desconhecida. Há tres razões do porque esse arguemnto é preferível ao da existência de Deus como causador:

1) É mais honesto intelectualmente admitir que não se sabe quando não se sabe (por exemplo no caso da origem da matéria que é algo que até agora não sabemos como surgiu e isso é tudo que se pode dizer em termos realistas);:

2) Segundo, a Navalha de Occam é uma princípio epistemológico que em suma diz que "quando se explicando algo, nenhuma suposição além do necessário deveria ser feita. Ou que a explicação que precisa de menos suposições para explicar algo, dentro do que é possível explicar no momento, é a melhor explicação.";

3) Nâo recorre a explicações sobrenaturais ou irracionais. "O fato de a gente não entender alguma coisa, não significa que ela precisa ser explicada de uma forma sobrenatural. A ciência vive da dúvida. A gente não precisa entender tudo para ter uma vida feliz e completa. Prefiro viver com a dúvida do que ser enganado por uma ilusão". (Marcelo Gleiser):

Logo: Há uma falácia de composição entre a premissa 1 "tudo que passou a existir tem uma causa" e a conclusão "logo, o universo tem uma causa".

REFUTAÇÃO 4:

Tecnicamente quando você pinta um quadro ou constrói uma casa, você não está realmente criando coisa alguma a nível atômico, tudo o que você está fazendo é usando algo que já existia e transformando-o em algo novo, em escala maior.

Então, para enfatizar um pouco mais, isso significa que, não está de forma alguma relacionado a criação nem de energia ou matéria. O mesmo pode muito bem ter acontecido com o universo (um arranjo maior) feito de coisas cuja existência preexistiam à existência dele (matéria e gravidade).


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